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Miúdos em alta: Mato Grosso fatura US$ 99 milhões com exportação de 'subprodutos'

Embarques de miúdos cresceram 102% em receita no ano de 2025

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Fígado de boi é destaque
Fígado de boi é um dos destaques • Canva/Reprodução

O que antes era visto como "resto" no processo de abate consolidou-se em 2025 como um dos negócios mais lucrativos da pecuária de Mato Grosso. A exportação de miúdos bovinos — que inclui itens como língua, rabo, pâncreas, fígado e até pênis — alcançou a marca histórica de US$ 99,6 milhões em faturamento, um salto impressionante de 102% em receita na comparação com o ano anterior.

Segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), os dados do sistema Comex Stat revelaram que o estado enviou 53,5 mil toneladas desses produtos para 53 países ao longo do ano. O crescimento no volume embarcado foi de 29,6%, mas o dobramento do faturamento indica uma forte valorização desses itens no mercado internacional e uma maior disposição dos compradores globais em pagar por cortes específicos.

Aproveitamento integral e diversidade de mercados

A estratégia de Mato Grosso foca no aproveitamento total do animal, transformando partes menos tradicionais em ativos de alto valor agregado. O fígado bovino, por exemplo, foi exportado para 29 países, incluindo mercados exigentes e diversos como o Reino Unido, Rússia, Egito e Maldivas.

Outro destaque é a língua bovina, que chegou a 27 destinos internacionais em 2025. O produto mato-grossense foi consumido em culturas tão distintas quanto as de Singapura, Israel, Argentina e Cazaquistão, provando a versatilidade da proteína estadual. “A comercialização de miúdos mostra como Mato Grosso consegue aproveitar integralmente o animal e transformar isso em valor. São produtos com alta demanda que ampliam a rentabilidade da cadeia”, destacou Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

Impacto na rentabilidade

Para o setor produtivo, a consolidação desse nicho significa que o boi "vale mais". Ao encontrar mercados específicos para cada subproduto, os frigoríficos conseguem diluir custos e aumentar a margem de lucro, tornando a pecuária de Mato Grosso mais competitiva globalmente. A diversidade de destinos também funciona como um "seguro", diminuindo a dependência de grandes blocos econômicos e adaptando a produção às necessidades culturais de cada continente.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde