Pesquisa da UFMG avalia plantas de cobertura para ampliar produtividade do milho
Espécies como nabo forrageiro, nabo pé de pato e guandu forrageiro melhoram a fertilidade e a retenção da água no solo

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estuda a influência de plantas de cobertura no cultivo de milho. A pesquisa “Manejo do solo com plantas de cobertura em sistemas de produção no outono/inverno em Minas Gerais visando enfrentamento às mudanças climáticas” foi iniciada há um ano.
Segundo o professor Rodinei Pegoraro, coordenador do Grupo de Estudos em Nutrição de Plantas e Uso de Resíduos na Agricultura (Genura), as plantas de cobertura aumentam a fertilidade e o teor de matéria orgânica do solo. “Além disso, melhoram seus atributos físicos e biológicos e sua capacidade de retenção de água, implicando aumento na produção de alimentos e na sustentabilidade agrícola”, explicou.
A pesquisa ocorre na Fazenda Experimental Hamilton Abreu Navarro (Fehan), órgão complementar do Instituto de Ciências Agrárias (ICA), campus da UFMG em Montes Claros.
Na área de cultivo, foram plantados Crotalaria ochroleuca, nabo forrageiro, nabo pé de pato, hunter, guandu forrageiro, Brachiaria ruziziensis, trigo forrageiro, aveia ucraniana, trigo mourisco e mix de plantas. As espécies serão utilizadas como cobertura para o plantio de milho de sucessão a ser realizado em agosto deste ano.
Silagem em alta
Nessa etapa, serão avaliados o potencial de produção de massa de matéria seca das plantas e de proteção do solo e a taxa de liberação de nutrientes para a cultura do milho. Em relação ao milho, será apurado o potencial de produção de silagem e, no solo, serão estudadas as propriedades físicas, químicas e biológicas.
Dados do experimento realizado em 2025 mostraram aumento significativo na produção de silagem nas áreas que receberam plantas de cobertura (71 toneladas) em relação às que não receberam (46 toneladas).
“O estudo será repetido por mais três anos na Fehan, com o cultivo de plantas de cobertura no período de outono/inverno e de milho no verão. Os resultados serão apresentados em um dia de campo a ser realizado no mês de setembro”, anunciou Rodinei Pergoraro.
A pesquisa, que está sendo replicada em outras cinco regiões de Minas Gerais, conta com apoio da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e de instituições como o Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam) e as universidades federais de São João del Rei (UFSJ) e de Uberlândia (UFU).
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



