Pecuária de MT regenera o equivalente a 5,8 mil campos de futebol e destrava quase R$ 1 bi
Avanço da regeneração vegetativa posiciona o estado frente às exigências do mercado europeu e asiático

A regularização ambiental em Mato Grosso já se consolidou como um motor econômico para o campo. Por meio do Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem), do Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), a regeneração de uma área equivalente a 5.868 campos de futebol irá viabilizar o retorno de R$ 921,2 milhões à cadeia produtiva formal, transformando passivos ecológicos em ativos financeiros.
Esses valores representam o rebanho de propriedades que antes estavam impedidas de comercializar devido a passivos ambientais. Com a regularização, esse "dinheiro travado" volta a circular, fortalecendo a economia do estado.
Leia também:
- Pecuária de MT deve movimentar R$ 42,1 bilhões em 2026 e bater recorde de abates
- Carne Halal: Mato Grosso amplia abate e mira mercado muçulmano bilionário
- Miúdos em alta: Mato Grosso fatura US$ 99 milhões com exportação de 'subprodutos'
O fim do bloqueio comercial
Para o pecuarista, ter um desmatamento irregular registrado ou um embargo ambiental significa o fechamento de portas nos principais canais de venda.
“O passivo ambiental é um bloqueio direto. Propriedades irregulares ficam impedidas de vender para frigoríficos que atendem grandes redes varejistas e exportadores. O Prem atua justamente para reconectar esse produtor ao mercado formal”, explicou Caio Penido, presidente do Imac.
Desde sua criação em 2022, o programa saltou de apenas quatro para 167 pecuaristas desbloqueados. Atualmente, o monitoramento abrange mais de 381 mil hectares — uma área 2,5 vezes maior que o município de São Paulo.
Um dos grandes destaques do programa é sua abrangência. A regularização ambiental deixou de ser um tema restrito aos grandes latifúndios:
- Grandes propriedades: 38,32%
- Pequenas propriedades: 34,74%
- Médias propriedades: 26,94%
Essa capilaridade reforça o Passaporte Verde, política de Mato Grosso que busca garantir conformidade socioambiental em toda a cadeia da carne. O objetivo é transformar passivos em ativos, garantindo que o estado mantenha sua competitividade global.
Competitividade internacional
O avanço da regeneração vegetativa não apenas resolve problemas legais, mas posiciona Mato Grosso estrategicamente frente às exigências do mercado europeu e asiático por produtos sustentáveis.
“Ao transformar áreas antes irregulares em ativos produtivos, o estado combina produção e conservação. Certamente temos mais biodiversidade que nossos concorrentes”, enfatizou Penido.
Com o acompanhamento técnico contínuo oferecido pelo Imac, o produtor mato-grossense deixa a informalidade e passa a entregar uma carne que atende aos mais rigorosos critérios de sustentabilidade do planeta.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



