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SP amplia regras sanitárias para blindar tilápia contra vírus letal

Patógeno altamente contagioso que pode causar a morte de até 90% dos peixes em plantéis infectados

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Tilápias
Tilapicultura é um dos pilares da aquicultura paulista • SAA-SP/Divulgação

O Governo do Estado de São Paulo publicou, nesta semana, uma resolução estratégica para proteger uma de suas cadeias produtivas mais dinâmicas de tilápia. A norma estabelece medidas rigorosas de defesa sanitária para prevenir a introdução do Tilapia Lake Virus (TiLV), um patógeno altamente contagioso que pode causar a morte de até 90% dos peixes em plantéis infectados.

A medida atua de forma preventiva, focando no controle de ingresso, trânsito e processamento de tilápias e derivados vindos de países onde a enfermidade já foi detectada, como nações da Ásia, África e Oriente Médio.

Proteção em meio a incertezas de importação

A decisão paulista surge em um momento de cautela, enquanto o Ministério da Agricultura ainda avalia os riscos da importação da proteína. Antecipando-se a possíveis ameaças, São Paulo decidiu mitigar os riscos.

"A resolução é uma medida preventiva para proteger o setor e garantir que continue crescendo com segurança e competitividade", destacou o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

Rigor no controle e rastreabilidade

As novas regras aplicam-se a produtos para consumo humano, alimentação animal e processamento industrial. Os estabelecimentos deverão seguir protocolos estritos, incluindo:

  • Identificação e rastreabilidade total dos lotes.
  • Segregação de produtos de acordo com sua origem.
  • Manutenção de registros sanitários e fiscais por, no mínimo, 12 meses.
  • Submissão a inspeções periódicas dos órgãos competentes.

A fiscalização ficará a cargo da Defesa Agropecuária do Estado, que terá poder para apreender produtos, interditar cargas e aplicar sanções administrativas em caso de irregularidades.

O perigo do 'vírus do lago'

A médica-veterinária Ieda Blanco, responsável pelo Programa Estadual de Sanidade dos Animais Aquáticos (PESAq), alertou para o potencial destrutivo do TiLV. "Sua eventual introdução traria impactos econômicos imensos. A transmissão é rápida e a mortalidade é altíssima", explicou.

Para o setor, o impacto de um surto seria devastador, dado que São Paulo possui uma estrutura industrial consolidada e produção em larga escala.

“A prevenção sanitária é decisiva para garantir a continuidade da produção e proteger empregos”, reforçou Martinho Colpani, presidente da Câmara Setorial de Pesca e Aquicultura do Estado.

Cenário econômico

A tilapicultura é um dos pilares da aquicultura paulista, apresentando crescimento constante e forte inserção no mercado consumidor. Com a nova normativa, o estado busca consolidar seu status sanitário como um diferencial competitivo, assegurando que a expansão do setor ocorra sob barreiras de biosseguridade robustas. Em 2025, a produção no estado atingiu 54,17 mil toneladas, uma alta de 4% em volume, movimentando quase R$ 500 milhões, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA).

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde