Exportações do agro brasileiro alcançam marca recorde de US$ 103,4 bilhões até julho
Desempenho histórico no acumulado do ano e novo recorde no mês de julho de US$ 16,34 bilhões foram impulsionados pelas vendas de soja em grãos, carnes e celulose

As exportações brasileiras do agronegócio alcançaram marcas históricas em 2026. Nos primeiros sete meses do ano (janeiro a julho), o setor somou US$ 103,4 bilhões em embarques para o exterior, uma alta de 6,0% em relação ao mesmo período de 2025 e o maior valor já registrado pela série histórica para o intervalo.
Apenas no mês de julho de 2026, as vendas externas do agro atingiram US$ 16,34 bilhões, um crescimento de 5,4% frente aos US$ 15,50 bilhões registrados em julho de 2025. Com o resultado mensal, o agronegócio respondeu por 47,9% de todo o volume exportado pelo Brasil no mês. Do lado das importações, as compras de produtos do agronegócio ficaram em US$ 1,75 bilhão no mês (-2,8%) e totalizaram US$ 11,7 bilhões no acumulado do ano (-1,4%).
Soja e carnes lideram avanços no ano
No acumulado de janeiro a julho de 2026, cinco grandes setores concentraram 82,8% de todas as exportações do agronegócio brasileiro:
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Complexo soja: liderou a pauta com US$ 42,1 bilhões (40,7% de participação).
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Carnes: ficaram na segunda posição com US$ 20,5 bilhões (19,8% de participação).
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Produtos florestais: somaram US$ 9,8 bilhões (9,5% do total).
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Café: totalizou US$ 7,5 bilhões (7,3% de participação).
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Complexo sucroalcooleiro: registrou US$ 5,8 bilhões (5,6% do total).
O grande destaque em volume e receita no ano continuou sendo a soja em grãos, que movimentou US$ 35,0 bilhões (+15,3%) e 83,0 milhões de toneladas (+7,5%). Outro pilar fundamental foi a carne bovina in natura, com recordes de US$ 10,5 bilhões em faturamento (+30,1%) e 1,7 milhão de toneladas embarcadas (+10,2%), impulsionada também pela alta de 18,0% no preço médio pago no mercado internacional.
Destaques do mês de julho e novos recordes
No balanço isolado de julho de 2026, diversos produtos registraram máximas históricas para o mês:
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Soja em grãos: alcançou recorde em valor (US$ 5,87 bilhões, +17,4%) e em volume (13,4 milhões de toneladas, +9,3%), puxada pelas cotações médias de US$ 438/tonelada (+7,4%).
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Celulose: registrou recorde para todos os meses da série histórica em valor (US$ 1,06 bilhão, +30,8%) e em volume (1,97 milhão de toneladas, +2,9%).
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Carne de frango in natura: atingiu valor recorde para os meses de julho, somando US$ 876,17 milhões (+33,9%) e 430,74 mil toneladas (+24,9%).
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Óleo de soja em bruto: disparou 184,3% em valor (US$ 370,24 milhões) e 143,5% em volume (309,05 mil toneladas).
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Farelo de soja: alcançou recorde de embarques para o mês de julho, com 2,42 milhões de toneladas (+17,6%), somando US$ 891,09 milhões (+28,6%).
Por outro lado, o açúcar de cana em bruto (-32,6%, com US$ 849,61 milhões) e o café verde (-21,8%, com US$ 815,92 milhões) registraram quedas no mês de julho, impactados pelo menor volume de embarques e por retração nos preços médios.
China se consolida como maior compradora
A China manteve-se isolada como a principal parceira comercial do agronegócio brasileiro. No acumulado de janeiro a julho de 2026, as compras chinesas somaram US$ 36,2 bilhões (35,0% do total exportado pelo agro), alta de 8,9% em comparação com o ano anterior. O resultado foi impulsionado pelas vendas de soja em grãos (US$ 24,4 bilhões) e carne bovina in natura (US$ 5,3 bilhões). Apenas em julho, os embarques para o mercado chinês somaram US$ 5,64 bilhões.
A União Europeia ocupou o segundo lugar no acumulado do ano, com US$ 15,0 bilhões (14,5% de participação e alta de 4,3%), impulsionada pelas compras de soja, farelo, café e celulose.
Os Estados Unidos ficaram na terceira posição, somando US$ 5,9 bilhões (5,8% de participação). Apesar da queda de 23,3% no acumulado do ano, provocada por recuos nas vendas de café verde e suco de laranja, a demanda americana por carne bovina in natura cresceu 48,1% (alcançando US$ 1,3 bilhão) e ajudou a amenizar o resultado no país.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.


