Agro paulista alcança superávit de US$ 12,16 bilhões entre janeiro e julho de 2026
Impulsionado pelas exportações da soja e das carnes, o setor foi responsável por mais de 37% de todas as vendas externas de São Paulo

O agronegócio do estado de São Paulo encerrou os primeiros sete meses de 2026 com um saldo altamente positivo na balança comercial. Entre janeiro e julho, o setor registrou um superávit de US$ 12,16 bilhões. O resultado é fruto de exportações que alcançaram US$ 15,63 bilhões, contra um volume de importações de US$ 3,47 bilhões no mesmo período.
Com esse desempenho, o agronegócio foi responsável por 37,2% do total de produtos exportados por São Paulo. Do lado das compras externas, os insumos e produtos do setor representaram apenas 6,6% do total importado pelos paulistas.
Segundo o diretor da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Carlos Nabil, os números reafirmam a força da diversificação do campo paulista. “O desempenho dos diferentes grupos de produtos reflete tanto as condições do mercado internacional quanto a dinâmica da produção e da demanda em cada cadeia”, destacou.
Os motores da pauta exportadora paulista
Apenas cinco grupos de produtos concentraram 79,7% de todas as vendas externas do agronegócio de São Paulo no período:
- Complexo Sucroalcooleiro: liderou o ranking com US$ 3,68 bilhões (23,6% do total). O açúcar foi o grande destaque do grupo, respondendo por 94,3% dos embarques, enquanto o etanol garantiu 5,7%.
- Carnes: ocupou a segunda posição com US$ 2,68 bilhões (17,2% de participação), impulsionado principalmente pela carne bovina, que representou 83,7% desse montante.
- Complexo Soja: movimentou US$ 2,17 bilhões (13,9% do total). A soja em grão correspondeu a 82,6% do volume exportado do grupo, seguida pelo farelo de soja (11,5%).
- Produtos Florestais: somaram US$ 1,91 bilhão (12,3% do total), puxados pela celulose (62,5%) e papel (30,7%).
- Sucos: registraram US$ 1,09 bilhão (7,0% de participação), com o suco de laranja dominando 96,1% das vendas da categoria.
O café apareceu na sexta colocação, gerando US$ 893,75 milhões (5,7% de participação). O café verde representou 64% do volume do setor, enquanto o tipo solúvel respondeu por 30,7%.
Altas e baixas em comparação com 2025
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o comportamento do mercado internacional gerou dinâmicas distintas entre os setores:
- Em alta: destacaram-se o complexo soja (+20,2%), o setor de carnes (+16,3%) e os produtos florestais (+8,2%).
- Em queda: registraram retratação os setores de sucos (-40,0%), sucroalcooleiro (-20,7%) e café (-19,0%).
Principais compradores e força nacional
A China manteve o posto de maior parceira comercial do agronegócio paulista, absorvendo 27,5% de todas as exportações. O mercado chinês comprou predominantemente produtos dos setores de soja, carnes, produtos florestais e do complexo sucroalcooleiro. A União Europeia ocupou a segunda posição, com 14,1% de participação, seguida pelos Estados Unidos, com 10%.
No contexto do agronegócio brasileiro, São Paulo consolida-se como o segundo maior estado exportador do país, sendo responsável por 15,1% das vendas externas nacionais do setor. O estado paulista fica atrás apenas de Mato Grosso, que lidera o ranking nacional com 20,4% de participação.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



