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Avanço genético para leite cresce 116% na mais recente geração de búfalos no Brasil

Relatório da ABCB mostra aceleração no ganho genético de animais nascidos entre 2022 e 2025 frente à safra anterior

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Rentável e dócil: criação de búfalos ganha força e se destaca na Megaleite 2026
Búfalos na Megaleite • Giullia Gurgel/ Itatiaia

O melhoramento genético do rebanho bubalino brasileiro atingiu um novo patamar. O mais recente relatório do Programa de Avaliação Genética de Búfalos, divulgado pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) com dados consolidados até o final de 2025, revelou que o ritmo de avanço genético para a produção de leite cresceu 116% entre as gerações mais recentes de animais.

O salto nos números

De acordo com o levantamento, os búfalos nascidos entre 2015 e 2021 apresentavam uma taxa de avanço genético estimada em 7,01 kg por ano. Já para a safra de animais nascidos entre 2022 e 2025, esse indicador disparou para 15,17 kg anuais.

A métrica central utilizada no estudo é a PTA (Habilidade Transmissível de Progênie) para P305, indicador que projeta quanto do potencial genético para produção de leite um indivíduo é capaz de transmitir para suas filhas em uma lactação padronizada de até 305 dias.

Importante: a PTA reflete a carga genética transmissível, e não a quantidade bruta de leite no balde. A produção real no dia a dia da fazenda continua dependendo de fatores como nutrição, sanidade, manejo e condições climáticas.

 

Coincidência com o programa de seleção

O ponto de virada na velocidade do ganho genético coincide diretamente com a implementação do Programa de Avaliação Genética da ABCB, estruturado em 2022.

Apesar do otimismo, os técnicos ponderam que, como parte dos animais nascidos nos últimos anos ainda é jovem e está no início da vida produtiva, o acompanhamento nas próximas safras será fundamental para consolidar a tendência. No entanto, os dados até 2025 confirmam que a seleção direcionada tem surtido o efeito esperado.

Para a coordenadora do programa na ABCB, Gabriela Stefani, a sistematização dos dados é a chave do sucesso:

“Ao reunir informações fenotípicas e genéticas, o relatório permite observar tendências ao longo do tempo, compreender os resultados da seleção realizada nos rebanhos participantes e acompanhar a evolução da população avaliada.”

Ao cruzar o fenótipo (as características visíveis e mensuráveis, como a pesagem leiteira) com o mapeamento genético, os pesquisadores conseguem isolar o que é mérito da genética do animal e o que é fruto do ambiente onde ele é criado.

Radiografia da bubalinocultura nacional

Além do volume de leite, o relatório anual da ABCB mapeia outros pilares cruciais para a sustentabilidade da atividade no país:

  • Persistência de lactação: avaliação das curvas de produção e da capacidade das fêmeas em manter o rendimento após atingirem o pico.

  • Herdabilidade: medição de quanto da variação entre os animais é realmente passível de transmissão genética.

  • Consanguinidade (endogamia): monitoramento do grau de parentesco do rebanho para evitar perda de variabilidade e garantir acasalamentos mais eficientes.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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