Traição e coração 'partido': conheça o búfalo 'Diferentão', atração na Megaleite 2026
Amansado com sela de cavalo após decepção amorosa, animal quebra mitos na feira; especialista da ABCB detalha o alto lucro do leite de búfala

Quem passa pelos pavilhões da 21ª edição da Megaleite, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, depara-se com uma cena inusitada: visitantes de todas as idades montando e tirando fotos com um imponente búfalo de sela. Trata-se de Diferentão, o búfalo que faz sua estreia no principal evento do agronegócio do leite na América Latina e que carrega uma curiosa história de superação, docilidade e até de "dor de cotovelo".
Seu tutor, o criador Rômulo Cavalcante, natural de São José do Jacuri, o Vale do Rio Doce contou à Itatiaia como o animal — que era o mais bravo de quatro búfalos comprados por seu falecido pai para puxar carro de boi — virou seu companheiro inseparável após uma grande decepção amorosa.
"Devido a uma traição de uma ex-namorada minha, eu acabei amansando esse e ficou o melhor deles, o mais dócil, o mais manso dos quatro. Os outros eu amansei com com uma técnica no nariz. Como eu estava bem revoltado devido à traição, eu falei: 'Nesse caso vou amansar diferente, quero que ele fique igual a um cavalo'. Amansei com um bridão", disse Rômulo.
O processo de doma exigiu persistência do mineiro. "Ele me jogou no chão demais, era muito bravo, muito arisco. E como eu estava magoado, é aquele ditado, né? Às vezes um joelho ralado dói bem menos que um coração partido. Me ralava todo, mas eu acho que a dor era menor naquela época", contou.

Hoje, Diferentão é o xodó de Rômulo e o acompanha em todos os lugares, incluindo praias do Rio de Janeiro e cavalgadas regionais. "Ele adora festa, adora gente. Eu faço festa em casa e ele vai para onde tem multidão. Ele adora porque todo mundo vai passar a mão nele, fazer carinho. E quem não gosta de carinho? A gente quase não fica em casa no final de semana, estamos sempre em festa porque ele chama muita atenção" contou o criador, orgulhoso da fama que conquistaram.
Após bater na trave no ano passado devido a um imprevisto no transporte — o peso do animal quebrou o veículo —, Rômulo atendeu aos convites da e comemora o sucesso na capital mineira. "Todo mundo que chega quer dar uma volta. Eu acho que não deixo de vir nunca mais. No período da Megaleite, eu não estou disponível para ninguém mais", brincou.

Além do sucesso nos eventos, o tutor e o búfalo acumulam mais de 20 mil seguidores nas redes sociais.
O que diz a técnica: o búfalo é viável e dócil?
A docilidade esbanjada por Diferentão na feira ajuda a derrubar um dos maiores mitos da pecuária. Segundo Renato Amaral, superintendente técnico da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), o preconceito contra o animal não se justifica quando há o manejo correto.
"Os animais que a gente trabalha são extremamente dóceis, igual a um gado bovino de leite, não temos problema nenhum. São animais muito fáceis de mexer. Existem particularidades da espécie, mas são muito mansos", garantiu o especialista.
Além do temperamento, Amaral destaca que a bubalinocultura se consolidou como uma alternativa altamente rentável para o produtor rural. Questionado sobre o fato de o búfalo produzir menos volume de leite em litros do que uma vaca leiteira tradicional, o superintendente técnico explica que a conta fecha com folga a favor do búfalo na hora da venda para a indústria.
"Em volume geral, ele produz menos volume, mas ele compensa porque o leite de búfala tem mais sólidos. Na indústria, isso se compensa: praticamente você precisa de metade do volume de leite que precisaria do bovino para fazer 1 kg de queijo. Por isso, o preço do leite de búfala pago ao produtor é maior" esclareceu Amaral.
O especialista finaliza aconselhando quem deseja entrar no ramo: "Estude, visite várias propriedades, pois os criadores de búfalos são muito abertos para receber. Tenha conhecimento técnico e venha criar búfalo, que eu aconselho".
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



