Megaleite 2026: abertura em BH destaca força do leite nacional e união do setor contra crise
Com lotação recorde de 1.400 animais na capital mineira, maior feira de pecuária leiteira da América Latina abre com protestos contra o dumping do leite importado e corte de incentivos fiscais em Minas

A capital mineira consolidou-se, nesta terça-feira (2), como o epicentro da pecuária leiteira com a abertura oficial da 21ª Megaleite. Realizado no Parque de Exposições da Gameleira, o evento alcançou lotação máxima com 1.400 animais inscritos, projetando-se como a maior feira do setor na América Latina e a segunda maior do mundo.
A solenidade de abertura foi marcada pelo contraste entre o otimismo tecnológico no campo e os fortes protestos contra a entrada de leite importado.
Genética de ponta e salto na produtividade
Com todas as vagas preenchidas antecipadamente, o parque reúne exemplares de grandes raças leiteiras, como Girolando, Gir Leiteiro, Guzerá, Holandês e o retorno da raça Sindi. O presidente da Girolando, Alexandre Lacerda, destacou que a alta demanda reflete o bom momento do mercado de genética bovina. O grande símbolo desse avanço é a própria raça Girolando (responsável por 80% do leite nacional), que praticamente dobrou sua produtividade média nas últimas duas décadas devido a investimentos em ciência e tecnologia, saltando de 4.000 kg/ano para cerca de 8.000 kg/ano por animal.
O "grito" do setor contra a importação e o dumping
Apesar do clima de celebração técnica, o tom dos discursos foi de forte cobrança econômica. Lacerda e Antônio de Salvo, presidente da Faemg Senar, criticaram duramente a entrada maciça de leite em pó do Uruguai e da Argentina, classificando a prática como dumping. Os líderes afirmaram que a concorrência desleal desvaloriza o produtor brasileiro e exigiram posicionamento das lideranças políticas. De Salvo mandou um recado de união para os mais de 700 mil produtores mineiros, afirmando que associações e cooperativas agora trabalham em bloco: "Mexeu com um, mexeu com todos".

Reação do governo estadual e políticas públicas
Representando o Governo de Minas Gerais — maior produtor nacional, com 10 bilhões de litros/ano —, o secretário da Seapa, Thales Fernandes, lamentou a "inércia" do governo federal e detalhou as defesas criadas pelo estado. Entre os principais anúncios, Fernandes destacou a reedição do decreto que corta os incentivos fiscais para a importação de leite em pó e muçarela, medida alinhada ao movimento "Minas grita pelo leite".
O secretário também reforçou programas locais que sustentam o setor, como o crédito presumido para a indústria e o cooperado, a substituição de leite em pó por leite fluido nas merendas escolares e o maior programa de genética do mundo para pequenos produtores, operado pela Emater-MG, que atende a agricultura familiar do estado.
A 21ª Megaleite segue ao longo da semana no Parque da Gameleira com leilões, grandes debates e torneios produtivos.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



