Agro de SP supera crise no Oriente Médio e garante superávit de US$ 4,49 bilhões
No primeiro trimestre de 2026, exportações somaram US$ 6,03 bilhões contra importações de US$ 1,54 bilhão

Mesmo diante das instabilidades logísticas e comerciais provocadas pela guerra no Oriente Médio, o agronegócio paulista demonstrou resiliência e força no comércio exterior. No primeiro trimestre de 2026, o setor registrou um superávit de US$ 4,49 bilhões, resultado de exportações que somaram US$ 6,03 bilhões contra importações de US$ 1,54 bilhão.
O setor agropecuário atuou como o grande amortecedor da economia paulista no período. Enquanto o estado enfrentou um déficit comercial de US$ 5,24 bilhões no balanço geral, o agronegócio seguiu na contramão, garantindo uma fatia de 38,5% de toda a pauta exportadora de São Paulo.
Impacto da guerra e mudança de rota
As tensões geopolíticas, especialmente o conflito Israel-Hamas, deixaram marcas pontuais. Em março, as vendas para o Oriente Médio recuaram 17,5%, enquanto os embarques para o Irã caíram 8,5% no acumulado do ano.
Entretanto, o setor soube redirecionar seus esforços. Uma mudança estratégica chamou a atenção dos analistas no complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol), que lidera as exportações com US$ 1,5 bilhão de receita.
"No ano passado, a China liderava como principal importadora de açúcar. Já neste trimestre, a Índia — que curiosamente é uma grande produtora e rival do Brasil — assumiu a liderança como principal destino", destacou Carlos Nabil Ghobril, diretor da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).
Ranking do agro paulista
Cinco grupos de produtos concentram quase 73% das vendas externas do setor em São Paulo:
- Complexo Sucroalcooleiro (25,6%): US$ 1,5 bilhão (destaque absoluto para o açúcar).
- Carnes (16,1%): US$ 972 milhões (carne bovina representa 81,7% deste montante).
- Produtos Florestais (13,9%): US$ 837 milhões (impulsionado pela celulose e papel).
- Sucos (8,9%): US$ 534 milhões (quase a totalidade em suco de laranja).
- Complexo Soja (8,4%): US$ 504 milhões.
O café aparece na sexta posição, gerando US$ 418 milhões, com forte presença tanto do café verde quanto do solúvel.
Destinos globais e posição no ranking nacional
A China permanece como a maior parceira comercial do agro de São Paulo, detendo 23,6% de participação, seguida pela União Europeia (15,8%) e pelos Estados Unidos (9,4%).
No cenário nacional, São Paulo consolida-se como a segunda maior potência exportadora do agro brasileiro, detendo 15,8% de participação nacional, ficando atrás apenas do Mato Grosso (20,9%).
Os dados são do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, e reforçam que, apesar das oscilações de preços e desafios geopolíticos, a diversificação da pauta exportadora paulista tem sido a chave para manter o saldo positivo.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



