Gorgonzola e Parmesão: marcas do Brasil terão novas embalagens com acordo Mercosul-UE

Uso dos termos será permitido desde que a origem brasileira do produto seja destacada de forma legível

Veja novas regras para comercialização dos queijos Gorgonzola e Parmesão brasileiros

A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia traz mudanças também para a indústria de laticínios no Brasil. O ponto central é a proteção das Indicações Geográficas (IGs). A Europa quer garantir que nomes de produtos famosos só sejam usados por quem produz nas regiões originais (como o Presunto Parma, na Itália).

Para o consumidor e o produtor brasileiro, isso não significa o sumiço imediato dos produtos, mas sim uma “reforma visual” e prazos de despedida para certas nomenclaturas.

Gorgonzola e Parmesão: as exceções com regras

Diferente de outros queijos que serão proibidos, o Gorgonzola e o Parmesão brasileiros podem continuar, mas não sem custos. Produtores nacionais que já utilizavam esses nomes de forma contínua e de boa-fé poderão mantê-los, desde que sigam três regras de rotulagem:

  1. Hierarquia visual: O termo “Parmesão” ou “Gorgonzola” deve aparecer em uma fonte obrigatoriamente menor do que o nome da marca brasileira.
  2. Proibição de símbolos: Fica terminantemente proibido o uso de bandeiras da Itália, monumentos europeus ou qualquer elemento gráfico que induza o consumidor a pensar que o queijo é importado.
  3. Origem clara: A embalagem deve destacar de forma legível a origem brasileira (ex: “Indústria Brasileira” ou “Produzido em Minas Gerais”).

O ‘adeus’ gradual: Feta e Gruyère

Para outros tipos de queijos, o acordo estabelece um cronograma de proibição:

  • Feta: Os produtores brasileiros têm um prazo de 7 anos para abandonar o nome. Durante esse período, o uso só é permitido para quem já produzia de forma contínua.
  • Gruyère: O uso é permitido apenas para quem já utilizava o nome há pelo menos cinco anos antes da oposição à IG, também sob regras rígidas de rotulagem.
  • Prazo Curto (5 anos): Nomes como Asiago, Comté, Pont-l'Évêque e Saint-Marcellin serão proibidos para brasileiros após 5 anos de vigência do acordo.

Por que as embalagens terão de ser refeitas?

Segundo especialistas, o objetivo é evitar o “aproveitamento parasitário” da reputação europeia. O acordo entende que o Parmesão brasileiro é um produto diferente do Parmigiano Reggiano italiano. Ao reduzir o tamanho do nome no rótulo e retirar as bandeiras, o tratado força o produtor brasileiro a investir na própria marca.

Para a indústria, o desafio será o custo de transição: o redesenho de centenas de rótulos e a educação do consumidor, que precisará se acostumar a identificar o queijo pela marca nacional, e não apenas pelo tipo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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