Dia Internacional do Café: preço sobe, consumo cai e novos hábitos marcam o cenário
Segunda bebida mais consumida do planeta sofre com altas no mercado brasileiro mas ainda está na mesa de 98% da população

Nesta quarta-feira, 1º de outubro, o mundo celebra o Dia Internacional do Café, uma homenagem à segunda bebida mais consumida do planeta — atrás apenas da água — e paixão nacional dos brasileiros.
Oficializada em 2015 pela Organização Internacional do Café (OIC), a data reconhece o grão não apenas como um produto agrícola vital, mas também como um poderoso símbolo de conexão social e peça-chave na economia global.
Preço
O cenário de preços altos para o café no Brasil, impulsionado por fatores climáticos e baixa produtividade, deve persistir. Após uma sequência de altas históricas nos últimos anos, o setor havia registrado uma breve trégua em julho de 2025, com a primeira queda nos preços após 18 meses.
No entanto, essa boa notícia durou pouco. A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) alertou na última semana que os preços do café devem sofrer um novo aumento de 10% a 15% em outubro.
Estoque Baixo e Produção Insuficiente
Segundo Celírio Inácio, diretor executivo da Abic, o principal motor desse novo aumento é o baixo estoque do país. As projeções de safra para 2024, que já consideravam uma bienalidade baixa (o ciclo natural de um ano de alta e outro de baixa produção), não foram alcançadas.
"Com a expectativa a menor colocada esse ano... e com o término da colheita, foi claro que nós não obtivemos o número de produção e o rendimento do café. Isso faz com que, mais uma vez, a produção que já vem carregando essa dificuldade já há 4 anos mostre que não haverá uma produção capaz talvez de abastecer todo o mercado", explicou Inácio à Itatiaia.
O cenário de temperaturas extremas e longos períodos de estiagem em 2024 foi decisivo para a queda na produtividade.
Além da crise de oferta interna, o diretor da Abic destacou outros fatores globais que influenciam a cotação do commodity:
- A atuação de fundos de investimento no mercado internacional.
- O "tarifaço de Trump", que injeta incerteza e volatilidade nas commodities.
Brasileiros pararam de tomar café?
O aumento persistente nos preços do café está mudando os hábitos de consumo no Brasil. Dados da pesquisa "Café – Hábitos e Preferências do Consumidor (2019–2025)", do Instituto Axxus encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), revelam que 24% dos brasileiros reduziram o consumo, embora não tenham parado de tomar a bebida.
Essa mudança de hábito já se reflete no mercado. No acumulado de janeiro a agosto de 2025, as vendas de café no varejo caíram 5,41% em comparação com o ano anterior. Com o produto mais caro, muitos consumidores estão optando por migrar para alternativas mais baratas.
Mudança nos padrões de consumo
O aumento do preço também mudou a forma como o café é comprado e consumido. A busca pela opção mais barata disparou: quase quatro em cada dez consumidores (39%) afirmaram optar pelo produto com o menor preço, um crescimento expressivo em relação aos 16% registrados em 2023. A fidelidade às marcas está sendo substituída pela prioridade ao menor valor.
O estudo também mostrou uma mudança na frequência do consumo da bebida. O grupo que tomava mais de seis xícaras de café por dia recuou de 29% em 2019 (e 2023) para 26% em 2025.
Em contrapartida, a parcela da população que consome até duas xícaras por dia vem crescendo de forma constante: saiu de 8% em 2019 para 14% em 2025.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



