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Preço do leite pago ao produtor aumenta 6,6%, mas importação ainda está alta e preocupa

Dados são do IBGE e constam do último boletim técnico do leite produzido pela Faemg. País saiu do patamar do 200 milhões de litros importados por mês, mas bateu 170 milhões em junho, o que ainda é considerado excessivo por especialistas

Segundo dados da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE, o Brasil captou formalmente 6,2 bilhões de litros no 1º trimestre de 2024. Isto representa uma alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas ainda abaixo dos volumes captados em 2020 e 2021. Minas Gerais representou 25,3% deste volume, com uma captação mensal de 522 milhões de litros e um crescimento de 8,0% em relação ao 1º trimestre de 2023.

O preço do leite disponibilizado pelo CEPEA para o leite entregue em Abril/24 e pago em maio/24 em Minas Gerais foi de R$ 2,4632, o que representa uma alta de 6,6% em relação ao mês anterior. A média Brasil encerrou em R$ 2,4576 (↑5,5%). Fonte: Cepea-Leite | Esalq-USP.

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O presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Faemg, Jônadan Ma, explicou à Itatiaia que, de janeiro para cá, houve de fato uma recuperação dos preços. “Não está se repetindo o que aconteceu no ano passado que, de abril em diante, assistimos os preços só caírem. Nossa expectativa é que em julho já tenhamos uma situação de estabilidade. Não há nada negativo que possa, a princípio, derrubar o preço do leite pago ao produtor, em Minas”.

Na avaliação dele, essa é uma boa notícia porque ele precisa recuperar sua capacidade de compra, sua possibilidade de se manter na atividade e se recuperar dos prejuízos que teve, mas não se pode esquecer que alguns fatores ainda ameaçam como o excesso de importação. “Se tivermos um equilíbrio nesses quesitos, teremos um cenário favorável ao produtor que lhe permita ficar mais animado do que ele estava em 2023. A notícia é boa sim, a dúvida é sobre quanto tempo ela vai durar”, disse Jônadan.

O presidente da comissão lembrou que a captação de leite, no último semestre em Minas, também aumentou e houve uma reação positiva do preço do litro pago ao produtor, de acordo com os dados do Conseleite Minas. O problema é que as importações ainda continuam altas. De acordo com Jônadan, em abril, estava alta, em maio abaixou e, agora em junho, tivemos uma nova alta, com importações acima das médias anteriores a 2022. “Ainda continuamos importando muito leite, algo da ordem de 170 milhões de litros por mês. Saímos do patamar dos 200 milhões, mas 170 milhões ainda é muito leite”.

Custo de produção aumentou 1,7%

Segundo dados do ICP-Leite Embrapa, após três meses consecutivos de queda, houve alta no Custo de Produção de Leite em Minas Gerais. O mês de Maio/24 encerrou com o aumento de 1,7% no Custo como resultado das altas nas despesas com Energia e combustível, que se elevou em 5,7%, seguido dos desembolsos voltados à Qualidade do leite (+2,8%), além da elevação em dois dos principais grupos de maior peso no Custo de Produção: Volumosos, com a alta de 2,3% e Concentrados, que cresceu em 1,8% no mês avaliado. No acumulado dos últimos doze meses, o Custo de Produção de Leite em Minas acumulou uma queda de 3,5% e, nos primeiros cinco meses do ano, registra uma deflação de 3,2%.

O mês de Maio/24 encerrou com a Importação de 146,3 milhões de litros equivalentes de leite, o que representa uma queda de 23,2% em relação a Abril/24 e de -27,8% quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. As Exportações somaram 4,4 milhões de litros equivalentes, totalizando uma queda de 15,3% em relação ao mês anterior. Para Junho/24, a partir dos dados preliminares dos primeiros 10 dias úteis do mês, projeta-se a importação de 21.375 toneladas, o que representa uma alta de 18,3% do volume internalizado em relação ao mês anterior.

Pelo quinto evento consecutivo houve alta no preço do Leite em Pó Integral no leilão GDT. No último evento, realizado no dia 04/06/2024, a alta foi de 2,05%, fechando em US$3.478/tonelada. Para o Leite em Pó Desnatado a alta foi de 3,54% em relação ao evento anterior, encerrando em US$2.722/tonelada.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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