O custo de vida do brasileiro começou o ano com um alento vindo das prateleiras dos supermercados. De acordo com os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o grupo Alimentação e Bebidas registrou uma desaceleração, passando de uma alta de
A queda no ritmo de reajustes foi puxada principalmente pela alimentação no domicílio, que variou apenas 0,10%. O alívio para o consumidor veio de itens básicos na mesa do brasileiro: o leite longa vida teve uma queda expressiva de 5,59%, seguido pelo ovo de galinha, que ficou 4,48% mais barato.
Salada e churrasco mais caros
Apesar do recuo em itens lácteos, o consumidor sentiu o peso da safra e da entressafra em outros corredores. O grande vilão do mês foi o tomate, que disparou 20,52%.
As carnes também voltaram a subir (0,84%), com cortes nobres liderando a pressão sobre o orçamento:
- Contrafilé: +1,86%
- Alcatra: +1,61%
Comer fora de casa segue tendência de desaceleração
Para quem costuma fazer refeições na rua, o cenário também foi de moderação. O segmento de alimentação fora do domicílio passou de 0,60% para 0,55%.
Houve, porém, uma inversão no tipo de gasto: enquanto o lanche teve uma desaceleração brusca (de 1,50% para 0,27%), o preço da refeição completa (prato feito ou self-service) acelerou, subindo de 0,23% para 0,66%.
Impacto no orçamento familiar
A importância desse grupo no índice oficial de inflação é estratégica. Segundo Fernando Gonçalves, analista do setor, o grupo Alimentação e Bebidas detém o maior peso no cálculo do IPCA, representando 21,42% do total.
“Isso significa que pouco mais de 1/5 das despesas das famílias é destinado à alimentação. Em janeiro, o grupo mostrou que a alta de preços perdeu força, especialmente pela contribuição do leite e dos ovos”, explicou Gonçalves.
A desaceleração é vista com cautela por especialistas, já que a alta acumulada em itens frescos como o tomate e a pressão das carnes ainda consomem boa parte do poder de compra das classes de renda mais baixa.