IPCA: leite e ovo ficam mais baratos, mas tomate e carnes pesam no bolso

Grupo Alimentação e Bebidas registrou uma desaceleração, passando de uma alta de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro

Grande vilão do mês foi o tomate, que disparou 20,52%

O custo de vida do brasileiro começou o ano com um alento vindo das prateleiras dos supermercados. De acordo com os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o grupo Alimentação e Bebidas registrou uma desaceleração, passando de uma alta de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro.

A queda no ritmo de reajustes foi puxada principalmente pela alimentação no domicílio, que variou apenas 0,10%. O alívio para o consumidor veio de itens básicos na mesa do brasileiro: o leite longa vida teve uma queda expressiva de 5,59%, seguido pelo ovo de galinha, que ficou 4,48% mais barato.

Salada e churrasco mais caros

Apesar do recuo em itens lácteos, o consumidor sentiu o peso da safra e da entressafra em outros corredores. O grande vilão do mês foi o tomate, que disparou 20,52%.

As carnes também voltaram a subir (0,84%), com cortes nobres liderando a pressão sobre o orçamento:

  • Contrafilé: +1,86%
  • Alcatra: +1,61%

Comer fora de casa segue tendência de desaceleração

Para quem costuma fazer refeições na rua, o cenário também foi de moderação. O segmento de alimentação fora do domicílio passou de 0,60% para 0,55%.

Houve, porém, uma inversão no tipo de gasto: enquanto o lanche teve uma desaceleração brusca (de 1,50% para 0,27%), o preço da refeição completa (prato feito ou self-service) acelerou, subindo de 0,23% para 0,66%.

Impacto no orçamento familiar

A importância desse grupo no índice oficial de inflação é estratégica. Segundo Fernando Gonçalves, analista do setor, o grupo Alimentação e Bebidas detém o maior peso no cálculo do IPCA, representando 21,42% do total.

“Isso significa que pouco mais de 1/5 das despesas das famílias é destinado à alimentação. Em janeiro, o grupo mostrou que a alta de preços perdeu força, especialmente pela contribuição do leite e dos ovos”, explicou Gonçalves.

A desaceleração é vista com cautela por especialistas, já que a alta acumulada em itens frescos como o tomate e a pressão das carnes ainda consomem boa parte do poder de compra das classes de renda mais baixa.

Leia também

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

Ouvindo...