É o momento de comprar imóveis? Setor espera ‘corrida’ por unidades até o fim do ano

Soma de fatores como a queda do dólar, baixa na inflação e nos juros, alinhado ao baixo estoque de apartamentos prontos, podem provocar aumento de preços

O mercado imobiliário aposta que em 2026 pode haver uma “corrida” por unidades habitacionais, proporcionada por mudanças em mecanismos de financiamento subsidiado e queda na taxa básica de juros. Com expectativa de aumento expressivo nas vendas e um crescimento geral de quase 2% em relação ao ano passado, agentes do setor afirmam que o momento é ideal para compras e alertam para a alta dos preços.

O motivo principal do otimismo é a queda na taxa básica de juros, a Selic. Em um patamar elevado de 15% ao ano, o indicador definido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central encarece o preço do crédito, tornando o financiamento de longo prazo cada vez mais caro. A expectativa do mercado é que a taxa seja reduzida em 2,75 pontos percentuais (p.p.) para 12,25%, com o ciclo de cortes começando a partir de março, favorecendo a compra.

Segundo Alex Veiga, CEO do Grupo Patrimar, construtora que atua na baixa, média e alta renda, a soma de fatores como a queda do dólar, inflação e juros, alinhado ao baixo estoque de apartamentos prontos, podem provocar um aumento no preço até o final do ano. O executivo destaca ainda que, como a queda na Selic pode ‘desincentivar’ os investimentos em renda fixa, o imóvel se torna mais atrativo para o investidor.

“O imóvel nessa hora é a certeza, é a garantia da valorização. Ao longo dos anos, se você ver a inflação, a valorização do imóvel é sempre maior. E como não existe tanta oferta assim, tem uma chance enorme de uma corrida para o imóvel, e com isso o preço dispara”, disse.

Em 2025, a inflação fechou o ano em 4,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A título de comparação, o preço do metro quadrado do imóvel teve uma valorização de 6,52% no mesmo período, de acordo com levantamento do Índice FipZap, que monitora os preços de venda nas 56 principais cidades do Brasil.

Momento favorável

Para o CEO da MRV&CO, Eduardo Fischer, a queda na Selic é uma expectativa grande no mercado para beneficiar o financiamento de unidades habitacionais. Na medida em que o empréstimo fica mais barato, há um ganho de custo que será repassado aos clientes.

“Você tem um momento favorável para a compra. Quando você olha para além do acesso à moradia, o imóvel é um excelente investimento, ele valoriza mais que a inflação historicamente. Então, além das famílias estarem investindo na casa própria, também estão fazendo um investimento no seu patrimônio. Olhando para 2026, talvez seja o momento mais oportuno para realizar essa compra e realizar esse sonho do que foi em 2025 e 2024”, disse.

Eleições

O CEO da imobiliária Pitchon Imóveis, Ricardo Pitchon, alerta ainda para o fator eleições no mercado. Com décadas de experiência, o executivo destaca que a tendência é ter mais dinheiro circulando na economia, causando um leve aumento na inflação e nos custos dos construtores.

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“Com dinheiro circulando na economia, mais poder aquisitivo, as pessoas compram mais. O imóvel é um investimento que as pessoas escolhem para isso. O que eu posso falar é que quanto mais rápido comprar, melhor. Posso te afirmar categoricamente que o preço dos imóveis vão subir esse ano. Quem se antecipar vai comprar muito bem. Eu vendo imóvel há tanto tempo e posso dizer que nunca vi o preço recuar”, ressaltou.

Já o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Minas Gerais, Raphael Lafetá, chama atenção para outro aspecto que pode passar despercebido para quem não acompanha o mercado: a reforma do imposto de renda. Com a isenção para quem ganha até R$ 5 mil e descontos de até R$ 7.350, ele explica que o dinheiro extra sobrando favorece o financiamento.

“A questão da tabela do Imposto de Renda, quando você coloca R$ 5 mil de isenção, você libera um dinheirão na mão da população que precisa ter acesso a moradia digna. Com a adequação das tabelas da Caixa, valores e faixas de renda, isso também abre uma oportunidade muito grande para a população ter acesso às moradias. Esse público vai procurar o imóvel e ir para o mercado do Minha Casa Minha Vida”, disse.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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