Correios anunciam leilão de imóveis em nova fase do plano para conter a crise

Estatal colocou 21 imóveis para alienação imediata; expectativa é arrecadar R$ 1,5 bilhão até dezembro

Estatal tem prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões em 2025

O plano de reestruturação dos Correios avançou para uma nova fase em que a estatal vai colocar uma série de imóveis próprios à venda, com leilões programados para os dias 12 e 26 de fevereiro. A oferta inicial é de 21 imóveis em certames exclusivamente digitais, abertos para pessoas físicas e jurídicas.

Em comunicado à imprensa, o serviço postal brasileiro disse que a iniciativa integra um conjunto de medidas estratégicas adotadas para reorganizar a estrutura financeira, reduzir custos fixos e recompor a capacidade de investimento. Os 21 imóveis estão disponíveis para venda imediata, enquanto os demais ativos ociosos estão em etapa de alienação.

A expectativa é arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro, recursos que, segundo a estatal, serão direcionados ao fortalecimento das operações, modernização da infraestrutura logística e sustentabilidade de longo prazo.

“O portfólio é diversificado e inclui prédios administrativos, antigos complexos operacionais, terrenos, galpões, lojas e apartamentos funcionais, com valores iniciais que variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões, ampliando o acesso de investidores de diferentes perfis. As alienações não trazem qualquer impacto à prestação de serviços à população”, dizem os Correios.

As informações sobre os leilões, incluindo editais, descrição detalhada dos lotes com fotos, condições de participação e cronograma atualizado estão disponíveis nos canais oficiais do Correios.

No final do ano passado, a estatal recebeu R$ 10 bilhões do empréstimo contratado com um grupo de cinco bancos, como parte do plano de reestruturação. O restante dos R$ 2 bilhões devem entrar no caixa da estatal em 2026. Segundo informações da CNN Brasil, a empresa usou parte dessa primeira parcela do empréstimo para pagar salários de funcionários e dívidas com fornecedores.

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O empréstimo contratado com o grupo de bancos composto por Santander, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Caixa, deve assegurar o fluxo de caixa da companhia até março. Os R$ 12 bilhões serão usados na recuperação do caixa, com o pagamento e negociação de todas as obrigações em atraso.

Neste mês de fevereiro, a empresa também reabriu o Plano de Desligamento Voluntário (PDV) dos servidores, parte integrante da reestruturação econômico-financeira. Segundo os Correios, a participação no programa é pessoal e voluntária, aberta até o dia 31 de março.

A expectativa da estatal é de que até 15 mil empregados possam aderir ao programa de demissão entre 2026 e 2027. A economia anual estimada nas despesas de pessoal com o PDV é de R$ 2,1 bilhões, sendo que o impacto deve ser sentido no caixa dos Correios a partir de 2028.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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