Galípolo diz que BC entrou em fase de calibragem da taxa de juros

Presidente do Banco Central destacou que autoridade monetária ainda observa os dados da inflação com cautela

Gabriel Galípolo em evento da ABBC nesta segunda-feira (9)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou que a autoridade monetária entrou em uma fase de “calibragem” da política de juros. A declaração do economista foi dada durante um evento sobre estabilidade financeira da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), nesta segunda-feira (9).

Com a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o presidente do BC destacou que a sinalização de corte em março não pode ser interpretada como uma “volta da vitória” contra a inflação. Segundo Galípolo, o foco do colegiado é observar os dados e ajustar a restrição da política monetária.

O termo “calibragem”, inclusive, consta na ata da reunião de janeiro do Copom. O documento destaca que o Copom, após profundas discussões sobre o nível corrente da Selic como mecanismo de convergência da inflação a meta de 3%, agora discute a calibração da política monetária no contexto de um “ambiente de melhora no cenário corrente e expectativas menos distantes da meta”.

Galípolo destacou que o BC não persegue uma taxa de juros reais, mas ajusta a Selic de acordo com dados da economia. O presidente do BC também ressaltou que as expectativas de inflação seguem acima da meta. De acordo com o Boletim Focus desta segunda, o mercado espera um índice de preços em 3,97% em 2026.

“O ponto pra gente é menos sobre isso e mais reforçar a parcimônia, a cautela que a gente vai ter para ir colhendo os dados e podendo dosar o nível de restrição da política monetária pra gente ter segurança que a gente pode produzir uma convergência da inflação para a meta”, disse o economista.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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