Ameaça à soja: praga ‘super-resistente’ chega a São Paulo pela primeira vez

Propriedade na região de São José do Rio Preto foi interditada para evitar a dispersão da planta

Espécie é classificada como praga quarentenária presente

O sistema de defesa sanitária vegetal de São Paulo entrou em estágio de alerta máximo. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a primeira detecção da planta invasora Amaranthus palmeri, popularmente conhecida como caruru-palmeri ou caruru-gigante, em território paulista. O foco foi identificado na regional de São José do Rio Preto, rompendo a restrição da praga que, até então, limitava-se aos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Considerada uma das plantas daninhas mais agressivas do mundo, a espécie é classificada como praga quarentenária presente, o que exige medidas imediatas de contenção para evitar prejuízos bilionários à agricultura nacional.

Interdição e medidas de rigor

Imediatamente após a confirmação, a propriedade foco foi interditada. Estão proibidas a saída de qualquer material vegetal, restos culturais, solo ou resíduos de limpeza de produtos vegetais da área afetada.

A produção de soja no talhão onde a praga foi encontrada sofreu restrições severas: a colheita só será autorizada após a eliminação total de todas as plantas de Amaranthus spp., seguindo protocolos da Coordenadoria de Defesa Agropecuária do estado. Equipes técnicas já realizam levantamentos de delimitação para mapear a extensão real do foco na região.

Por que o Caruru-Gigante preocupa tanto?

O caruru-palmeri possui características biológicas que o tornam um “supervilão” das lavouras:

  • Resistência: apresenta resistência a diversos mecanismos de ação de herbicidas comuns.
  • Agressividade: possui crescimento acelerado e alta capacidade de adaptação.
  • Impacto na colheita: pode reduzir drasticamente a produtividade, competindo por nutrientes e luz, além de dificultar o processo mecânico de colheita.

A principal via de dispersão da praga é o trânsito de maquinários e implementos agrícolas contaminados, além do comércio de sementes sem certificação.

Caruru-Gigante

Histórico da praga no Brasil

Detectada pela primeira vez no Mato Grosso em 2015, a praga vinha sendo monitorada em oito municípios mato-grossenses e dois em Mato Grosso do Sul. A chegada ao Sudeste coloca em xeque a biossegurança de um dos maiores polos agrícolas do país.

O Mapa reforça que a atuação segue as diretrizes do Programa Nacional de Prevenção e Controle, instituído em 2024, visando preservar a produção agropecuária e garantir o cumprimento das leis fitossanitárias.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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