Um
Publicada na revista
O trabalho utilizou uma extensa base de dados com 4.290 amostras de solo, coletadas em diferentes profundidades (0 - 10 cm, 0 - 20 cm, 0 - 30 cm e 0 - 100 cm), provenientes de áreas de vegetação nativa e de áreas de uso agropecuário em todo o país. As diferenças entre os valores de estoque de carbono orgânico no solo serviu de base para o cálculo e possibilitou o entendimento sobre a perda de carbono em seis biomas, cinco tipos de solo e diferentes níveis de intensificação do manejo agropecuário.
“Ao mesmo tempo em que quantifica o problema, a pesquisa aponta oportunidades de incremento de carbono com a mudança de práticas agropecuárias e iniciativas de políticas públicas ou ações privadas”, explicou Luis Gustavo Barioni, pesquisador da Embrapa.
Segundo João Marcos Villela, primeiro autor do artigo e bolsista da Esalq/USP, o estudo traça uma linha de base sobre a perda de carbono no Brasil e serve de referência para outras pesquisas nessa temática.
“Como os dados vêm de diferentes estudos, não há uma uniformidade metodológica. Porém, antes não tínhamos informações com essa amplitude. Esse trabalho serve como ponto de referência para ações futuras”, afirmou Villela. O banco publicado no artigo está em formato aberto e
Clima interfere na perda de carbono
Além de mensurar a perda de carbono provocada pelas mudanças de uso da terra, os pesquisadores quiseram saber quais as alternativas para aumentar o estoque de carbono, podendo retornar ao estágio inicial, ou até mesmo superá-lo.
A análise dos dados confirmou que o clima é um fator importante no balanço de perdas e armazenamento de carbono orgânico no solo. Locais mais frios e úmidos, como os biomas Pampa e Mata Atlântica, apresentaram maiores estoques de carbono em comparação aos biomas de climas tropicais, como Cerrado, Pantanal, Caatinga e Amazônia.
Da mesma forma, alterações de uso da terra, com introdução de práticas agropecuárias, causaram maior perda de carbono nos locais com maior estoque inicial.
Papel das práticas agrícolas sustentáveis
O estudo comparou também o estoque de carbono no solo em diferentes sistemas produtivos, como monocultura, rotação de culturas e plantios integrados como a
A conversão da vegetação nativa em monocultura resultou em uma perda média de 22% na matéria orgânica, enquanto em sistemas agrícolas integrados a perda foi de 8,6%. O sistema plantio direto também se mostrou menos suscetível à perda de carbono do que o plantio convencional. Nesse sistema, a redução foi de 11,4%, enquanto no cultivo convencional foi de 21,4%. Isso resulta em uma diferença de 47% entre as duas técnicas de semeadura.
Mercado de carbono
Além de subsidiar políticas públicas para recarbonização, a pesquisa traz uma informação importante sobre o potencial do mercado de carbono no Brasil. Daniel Potma, atualmente pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, e vinculado à Universidade Estadual de Ponta Grossa na época do estudo, afirmou que definir o déficit de carbono permite estimar o tamanho que esse mercado pode atingir.
“Conhecendo o tamanho do “pote”, 1,4 bilhão de toneladas de carbono, é possível saber quanto isso vale em termos de recursos, o que poderá ser um chamariz para atrair investimentos na economia da descarbonização”, destacou.