O setor citrícola da Flórida, nos Estados Unidos, enfrenta dias de alta tensão. Desde o final de janeiro, o estado registra temperaturas extremamente baixas, desafiando a produção de laranjas em uma região que já lida com colheitas limitadas. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a atual onda de frio severo elevou o nível de alerta para riscos de danos irreversíveis.
O perigo reside na duração da exposição. Árvores submetidas a temperaturas abaixo do ponto de congelamento por mais de quatro horas podem sofrer rompimento de células no tronco e galhos, além da perda de folhas e frutos.
Estratégias de sobrevivência no campo
Para tentar mitigar os prejuízos, produtores locais recorreram a técnicas de engenharia térmica e manejo hídrico:
- Irrigação por aspersão: Utilizada para criar uma camada isolante de gelo sobre as plantas, mantendo a temperatura interna próxima a 0°C e evitando o congelamento dos tecidos vivos.
- Aquecedores de lavoura: usados para elevar a temperatura do ar nos pomares.
Apesar dos esforços, o Cepea adverte que a eficácia dessas medidas é limitada caso o frio intenso persista por períodos prolongados, o que tem sido o desafio central desta temporada.
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Clima instável e avaliação de danos
Embora as temperaturas tenham voltado a subir nesta semana, o alívio pode ser temporário. A previsão indica a chegada de uma nova frente fria acompanhada de chuvas nos próximos dias.
Especialistas explicam que o impacto real sobre a safra não é imediato. Como os danos celulares e a queda de frutos podem levar tempo para se manifestar visualmente, a extensão do prejuízo à produção da Flórida — e seus consequentes reflexos nos preços globais do suco de laranja — só poderá ser contabilizada com precisão nos próximos dias.