A pecuária é uma das principais atividades responsáveis pela
A metodologia inovadora é capaz de mensurar, com precisão, a emissão de metano em reprodutores bovinos mantidos sob condições controladas de manejo e alimentação. Ao longo de três anos de provas, já foram testados mais de 150 animais, das raças Angus, Charolês, Hereford e Braford, representadas por suas associações de criadores, além dos reprodutores do rebanho da raça Brangus da Embrapa.
A identificação dos jovens reprodutores com menores índices de emissão de metano pode ser empregada no melhoramento das raças, usando a genética na formação de progênies com essa característica. Com a consolidação de um banco de dados para o atributo de menor emissão de gases, a Embrapa e parceiros poderão disponibilizar, nos programas de melhoramento genético, as DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie), indexadores que estimam a capacidade de um animal transmitir características genéticas para a sua descendência.
De acordo com a pesquisadora Cristina Genro, da Embrapa Pecuária Sul, identificar animais mais eficientes na relação entre consumo de alimentos, ganho de peso e menor emissão do gás é mais uma ferramenta em prol da sustentabilidade da pecuária brasileira e da redução do impacto das mudanças climáticas. “Se pensarmos nessa característica espalhada por milhões de animais, a redução da emissão de metano pode ser extremamente significativa”, enfatizou a pesquisadora.
Banco de dados vai apoiar melhoramento genético
Intitulado “Avaliação de tecnologias com potencial de mitigar GEE nos campos e florestas nativas e cultivadas do RS”, o trabalho está analisando cinco pontos centrais: a genética de reprodutores bovinos quanto à relação da emissão de metano e produção de carne; o potencial de mitigação dos sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) com árvores nativas do Rio Grande do Sul; novas dietas para bovinos com capacidade de diminuir a produção de metano entérico no rúmen dos animais; a validação, no RS, de marcas-conceito já lançadas pela Embrapa, como a Carne Carbono Neutro (CCN), Carne Baixo Carbono (CBC) e Carbono Nativo (CN); assim como a avaliação da carne produzida nesses modelos de produção.
Conforme Genro, que é líder do projeto, o manejo adequado do pasto é capaz de compensar em até 35% a emissão do metano pelos bovinos, a manipulação da fermentação ruminal com a melhoria da dieta animal pode mitigar entre 10% e 20% e o melhoramento genético animal tem um potencial de mitigar até 38% dessas emissões.
Além do melhoramento genético animal, o manejo adequado das pastagens é outro pilar fundamental para reduzir impactos ambientais. Em estudos conduzidos no bioma Pampa, em área de integração Lavoura-Pecuária (ILP) com pastagens cultivadas de azevém e aveia para terminação de novilhos no inverno, os animais, quando estavam em uma altura ótima de pastejo, emitiram 30% menos metano em comparação aos índices preconizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas, o IPCC.
Em resumo, quando os pastos são manejados segundo recomendações técnicas, levando em consideração o critério altura de pastagem, os animais emitem menos metano e o solo acumula mais carbono. A altura é uma característica da estrutura do pasto que tem relação direta com a massa de forragem, ou seja, a quantidade de pasto disponível em uma área.
Altura recomendada da pastagem
No contexto do bioma Pampa, no caso de pastagens naturais, sugere-se medir a altura dos pastos uma vez ao mês, no outono e inverno, e a cada 15 dias na primavera e no verão. No caso de pastagens nativas melhoradas por fertilização e sobressemeadas com espécies cultivadas de inverno, a recomendação é que a medição seja feita pelo menos quinzenalmente durante todo o ano.
Cada pasto tem uma altura de manejo recomendada, inclusive dependendo da sua forma de uso, ou seja, em pastejo rotativo ou contínuo. O azevém, espécie bastante usada no inverno, por exemplo, deve ser mantido entre 15 e 20 centímetros de altura durante todo o tempo de pastejo sob lotação contínua com taxa variável. Para o pastejo rotativo, a entrada dos animais deve se dar com 20 cm e a saída entre oito e 12 cm.
As medições de altura do pasto podem ser realizadas com o uso de ferramentas simples como uma régua ou um bastão medidor de altura de pasto. Os produtores interessados podem encontrar mais informações sobre manejo por altura de diversas espécies, inclusive de campo nativo do bioma Pampa e mesclas forrageiras, em