Semeadura da soja no Rio Grande do Sul atinge 93% da área prevista

Excesso de precipitações desacelera plantio, mas lavouras evoluem bem

Ao todo, devem ser cultivados 6.742.236 hectares com produtividade média de 3.180 kg/ha

A semeadura da soja no Rio Grande do Sul alcançou 93% da área projetada para a safra 2025/2026. Ao todo, devem ser cultivados 6.742.236 hectares com produtividade média de 3.180 kg/ha. Segundo o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar, o plantio sofreu uma desaceleração, por causa do grande volume de precipitações e dos curtos intervalos de tempo seco, que não permitiram a redução adequada da umidade do solo para as semeadoras.

A maior parte das áreas (93%) encontra-se em fase vegetativa e inicia o florescimento das lavouras de soja mais precoces (7%). As lavouras de soja implantadas no início do período apresentam elevado vigor vegetativo, resultado da combinação de disponibilidade hídrica, temperaturas elevadas e radiação solar satisfatória.

As melhores lavouras estão implantadas em solos bem estruturados, onde há maior teor de matéria orgânica e cobertura vegetal adequada, as quais favorecem a infiltração e o armazenamento de água. Já nos cultivos implantados em solos mais compactados ou com menor cobertura, são observadas ocorrências de erosão laminar e em sulcos, em especial em lavouras em fase de emergência.

Em semeaduras realizadas sob condições menos favoráveis de umidade, especialmente após períodos de déficit hídrico seguidos por chuvas intensas, foram registrados casos de desuniformidade de emergência, falhas de estande e necessidade pontual de replantio.

Milho

As condições climáticas do período, caracterizadas por precipitações frequentes e volumes adequados, favoreceram a recuperação do milho, após a restrição hídrica observada em novembro. O desenvolvimento das lavouras é considerado satisfatório na maior parte do estado, com expectativa de rendimentos compatíveis à média histórica, embora persistam perdas localizadas em áreas afetadas pela estiagem em estádios críticos.

A semeadura do milho atingiu 92% da área planejada, de 785.030 hectares, e está concluída em diversas regiões. Nas áreas remanescentes, o plantio avança conforme a liberação de áreas ocupadas por outras culturas ou em replantio em safrinha. A maior parte das lavouras se encontra em fase reprodutiva, predominando o enchimento de grãos, seguido por áreas em maturação fisiológica e início pontual de colheita. A situação fitossanitária está adequada. Apesar de haver relatos sobre a presença de cigarrinha-do-milho e lagartas, não há muitos sintomas de enfezamento, e os controles estão em andamento.

Milho silagem

Houve boa recuperação do milho de silagem, relatada em diversas regiões, devido ao volume de chuvas no período. As perdas de produtividade causadas no início do mês estão sendo atenuadas pela recuperação da umidade do solo em virtude das chuvas regulares.

Apenas na Fronteira Noroeste, onde o corte do milho está paralisado devido ao volume das chuvas e à alta umidade do solo, há relatos de problemas causados pelos excessos de precipitação. Nas demais regiões, as condições estão boas, assim como as expectativas de produtividade. Conforme estimativa da Emater/RS-Ascar, a área destinada ao milho para silagem deve atingir 366.067 hectares, e a produtividade estimada é de 38.338 kg/ha.

Arroz

A semeadura do arroz no Rio Grande do Sul encontra-se em fase final, alcançando 97% da área prevista pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga), de 920.081 hectares. O período foi marcado por elevada frequência de chuvas de altos volumes acumulados, o que restringiu as operações de campo, como as semeaduras tardias e a execução de tratos culturais.

As lavouras de arroz estão em desenvolvimento vegetativo (97%), com avanço gradual para o período reprodutivo nas áreas mais precoces, onde se observa o início da floração (3%). De modo geral, o estabelecimento das lavouras é considerado adequado.

As precipitações contribuíram de forma significativa para a recuperação e manutenção dos mananciais, reduzindo a necessidade imediata de irrigação suplementar e ampliando a reserva hídrica disponível para o ciclo da cultura. No entanto, foram registrados alagamentos pontuais em estradas rurais e em lavouras localizadas em áreas mais baixas e próximas a cursos d’água, com maior incidência no Centro do Estado. As dificuldades operacionais impostas pelas chuvas também prejudicaram o manejo técnico nas lavouras.

Feijão 1ª Safra

A ocorrência de chuvas beneficiou o feijão 1ª safra. A cultura ocupa 26.096 hectares no Rio Grande do Sul e foi impactada pelo déficit hídrico registrado entre a metade de novembro e o primeiro decêndio de dezembro. Em grande parte das regiões, observa-se recuperação do desenvolvimento das lavouras e evolução satisfatória do ciclo.

As atividades de campo seguem condicionadas pela ocorrência de chuvas frequentes, que, de forma pontual, têm imposto restrições operacionais, especialmente à semeadura e à colheita. Contudo, não há registro, até o momento, de impactos expressivos sobre a produtividade média estadual, projetada pela Emater/RS-Ascar em 1.779 kg/ha.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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