No verão, as frutas têm o consumo aumentado, seja in natura ou em diferentes receitas. Nesta época de alta, agricultores familiares são beneficiados pela alta demanda. Melancia, uva,
“O Rio Grande do Sul produz uma diversidade de frutas que colorem as mesas e o dia a dia de quem produz, mas também dos consumidores”, ressaltou o gerente técnico estadual e diretor técnico em exercício da Emater/RS-Ascar, Luis Bohn, ao analisar o aumento do consumo durante a estação do Verão. “Nessa época de verão, a procura por frutas aumenta, inclusive nas feiras, realizadas em quase todos os municípios gaúchos, apoiadas pela Emater, em especial no Litoral”, disse Bohn.
Segundo o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar, as temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar nos últimos períodos têm prejudicado algumas frutícolas, como melancia e melão, mas beneficiado as videiras, o abacaxi e o morango.
Bohn ressaltou a importância da irrigação para que o produtor possa enfrentar períodos de seca, como o atual. “A irrigação nesse momento, em especial para a viticultura ou mesmo as melancias e melões, é fundamental, pela necessidade fisiológica dessas frutíferas, pois permite que as frutas se desenvolvam a um tamanho de boa aparência”, avaliou.
Abacaxi
No tradicional município produtor de abacaxi no Litoral do RS, Terra de Areia, 120 famílias produzem a fruta em 360 hectares. “O abacaxi é uma fruta não climatéria, ou seja, é colhida bem madura. Depois de desconectado da planta-mãe, ele pode mudar de cor, mas não acrescenta mais açúcares”, explicou o extensionista e técnico em Agropecuária da Emater/RS-Ascar, Wolnei Marcio Fenner.
Para a safra 2025/2026 do abacaxi da Terra de Areia, a expectativa é de colher 7,5 milhões de frutos. “Então, para quem já conhece o abacaxi de Terra de Areia, a dica é aproveite, pois o clima neste ano tem sido muito favorável”, disse Fenner.
Morango
Morangos
O morango ou os moranguinhos no Rio Grande do Sul também estão no auge da produção. Atualmente, 588 hectares são cultivados por 2.631 famílias de agricultores. De acordo com os dados apresentados no Levantamento Frutícola de 2025 realizado pela Emater/RS-Ascar, as três principais regiões produtoras de morango são a Serra, Vale do Caí e também a região de Pelotas.
No Vale do Caí e na região de Pelotas, o morango é comercializado entre os meses de outubro a dezembro. Já na região da Serra, o auge da produção é do final de dezembro até o mês de fevereiro. As principais cultivares do Rio Grande do Sul são as de dias neutros, como San Andrés e Álbio, que têm a maior área cultivada. Tem também as variedades de dias curtos, também conhecidas como mais precoces, como a Fênix, Fronteiras e Caminho Real.
“As frutas deste ano estão com ótima qualidade, se demonstrando uma excelente safra, com colaboração do clima, apesar do pequeno atraso em relação ao seu início, em função das fortes geadas que tivemos no Estado. Mas após essa ocorrência, está tudo bem e prometendo uma grande safra e um ótimo ano produtivo”, destacou o extensionista Thompsson Benhur Didoné.
Na região de Pelotas, a cultura segue em plena produção, com frutos de qualidade, calibre, coloração e sabor. As plantas continuam com muito boa floração, o que indica aumento de produção nas próximas semanas. Em Turuçu, os produtores da Associação de Produtores de Morango se reuniram para programar as encomendas das mudas para o próximo ano, que são organizadas, fomentadas e subsidiadas pela Prefeitura, com apoio da Emater/RS-Ascar.
Na região dos Vales está o município de Bom Princípio, conhecido como a Terra do Moranguinho, famosa pela grande produção e pela realização anual da Festa Nacional do Moranguinho, em setembro, um evento que celebra a cultura da fruta no Vale do Caí. A cultura encontra-se em colheita, com frutos de boa qualidade e produtividade e demanda de mercado satisfatória.
Melancia
Melancia
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, os bons preços na comercialização da safra anterior de melancia despertaram nos produtores a intenção de aumentar a área a ser plantada. Na região de Soledade, a colheita está intensificada, com forte produção comercial nos municípios de Rio Pardo, General Câmara e Encruzilhada do Sul, numa área estimada em 1.800 hectares.
Na região de Porto Alegre, somente no município de São Jerônimo 60 produtores cultivam 800 hectares com melancia. Nesta safra, a expectativa de produtividade é de 35 ton/ha, “porém a falta de chuvas afeta algumas lavouras que não têm sistema de irrigação”, ressaltou o extensionista Marcelo da Silva Fortes, que também atende 35 produtores de melancia de Arroio dos Ratos, numa área de 350 hectares. Segundo ele, as variedades mais cultivadas de melancia nos dois municípios são Manchester, Braba, Karistan, Top Gun e Talismã, basicamente através do sistema de produção convencional, com aração e gradagem.
Fortes avalia a tendência de aumento da área cultivada com melancia, em plantio consorciado com florestas, como acácia-negra e/ou eucalipto, fomentadas pelas empresas florestais. Outra tendência na região é a mudança de culturas. Quanto à produtividade, o aumento é resultado do uso de tecnologias, como de irrigação por aspersão e fertirrigação por gotejamento. Atualmente, são irrigadas 60% das áreas de melancia nos municípios de São Jerônimo e Arroio dos Ratos.
Os produtores de melancia de São Jerônimo e de Arroio dos Ratos têm aderido a outras técnicas de cultivo, como o protetor solar, que evita a queimadura e a escaldadura das frutas.