Ouça a rádio

Ouvindo...

Times

Nem maçã, nem banana. Município mineiro inclui pitaya na alimentação escolar

Fruta considerada exótica será fornecida a escolas públicas municipais por agricultores familiares da região de São Sebastião do Oeste

A partir dos próximos dias, os alunos de São Sebastião do Oeste, no Centro-Oeste de Minas Gerais, terão uma novidade deliciosa no cardápio da escola. A pitaya - também conhecida como a “fruta do dragão” - fará parte da merenda das escolas públicas municipais. É que, como muitos produtores na região produzem, a prefeitura vislumbrou uma oportunidade: comprar a fruta através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Segundo o edital, serão adquiridos até 600 quilos anuais de pitaya in natura e 800 quilos da fruta congelada.

Leia também

Casal investiu no cultivo há quatro anos

A produtora Nedina Rodrigues Teixeira e o marido Eliezer Oliveira fizeram os primeiros plantios de pitaya no município há quatro anos. Eles são pioneiros no cultivo da fruta em São Sebastião do Oeste. “Eu trabalhei 25 anos no comércio em Belo Horizonte. Decidimos mudar. Meu marido começou a pesquisar outra atividade e gostou da ideia de cultivar pitaya, uma fruta que ainda não tem muita oferta”, explica.

Hoje os dois têm quase 5 mil pés da fruta em uma área de 1,5 hectare. Até então, a venda era feita apenas no comércio da região. Agora, com a inclusão da fruta na alimentação escolar, o casal vê uma boa oportunidade de tornar a pitaya mais conhecida. Além do consumo in natura, ela pode ser usada para fazer vitaminas, bolos e sorvetes.

“Vai ajudar demais. Nós da agricultura familiar temos mais dificuldade de colocar o produto no mercado. Incluindo a fruta nas escolas, as crianças vão gostar, ela vai ficar mais conhecida e isso vai ajudar muito os pequenos produtores”, afirma Nedina Teixeira.

O caminho da produtora e do marido para chegar ao estágio atual de produção contou com o apoio da Emater desde o início do cultivo. Além das orientações como controle de pragas e doenças, condução da lavoura e adubação, a empresa também foi responsável por divulgar a pitaya no município.

Dia de Campo

A técnica da empresa Nádia Machado Rodrigues conta que, no ano passado, promoveu um Dia de Campo no sítio do casal de produtores para apresentar a fruta para outros agricultores do município e para responsáveis pela alimentação das escolas públicas de São Sebastião do Oeste, como cantineiras e nutricionistas.

“Falamos da condução da lavoura e das técnicas que a Emater utilizou no plantio. Muita gente não conhecia um pé de pitaya. Neste dia, a produtora também fez algumas receitas, como sorvete de pitaya, mousse, além da degustação in natura, para apresentar a fruta para o pessoal”, lembra Nádia Rodrigues.

Conheça outras curiosidades

  • A Pitaya é originária da América Central e do Sul, mas também é cultivada em outros países, como Israel, Tailândia, Vietnã e Malásia.
  • Ela só floresce à noite. As flores são grandes, brancas e perfumadas, e atraem insetos e morcegos, que ajudam na polinização.
  • A pitaya nasce da palma forrageira que tem se tornado cada vez mais um alimento importante para o gado em regiões com escassez hídrica.
  • O nome pitaya vem do espanhol e significa “fruta escamosa”.
  • Já o nome Fruta do Dragão se deve à sua aparência, que lembra as escamas de um dragão.
  • Esse nome foi dado pelos chineses, que acreditavam que a fruta era um presente dos dragões, que cuspiam fogo durante as batalhas.
  • A fruta também tem outros nomes em diferentes países, como pitahaya, strawberry pear, cactus fruit, nanettikafruit e thang loy.
  • Seu sabor adocicado e suave. Ela é rica em vitaminas e fibras, com boa digestibilidade e baixo teor calórico.

Tipos de pitaya

Existem três variedades principais de pitaya, que se diferenciam pela cor da casca e da polpa. São elas:

  • Pitaya vermelha: tem a casca e a polpa vermelhas, e é a mais comum no Brasil. É também a mais doce e a mais rica em antioxidantes, que dão a cor vermelha à fruta.
  • Pitaya amarela: tem a casca amarela e a polpa branca, e é mais difícil de encontrar. É a mais ácida e a mais rica em vitamina C.
  • Pitaya branca: tem a casca rosa e a polpa branca, e é a mais comum na Ásia. É a menos doce e a mais rica em fibras, que ajudam a regular o intestino, a controlar o colesterol e a glicose, e a aumentar a saciedade.

Saiba escolher uma boa pitaya

  • Ela deve ter uma casca firme, mas não dura, e sem manchas ou rachaduras. A cor da casca deve ser intensa e uniforme, sem partes verdes ou marrons.
  • A polpa deve ser suculenta e macia, e ter uma cor viva, branca ou vermelha.
  • As pontas das folhas que saem da casca da pitaya devem estar secas e murchas, pois isso indica que a fruta está madura.
  • Se as pontas estiverem verdes e frescas, significa que a fruta ainda está verde e pode estar ácida.

Área plantada está em expansão

A área plantada em Minas Gerais, apesar de pequena, está em expansão, com predominância da agricultura familiar. Segundo a Emater, em 2022, 137 produtores investiam na pitaya. As lavouras cultivadas com a fruta no estado ocupavam 116 hectares, com uma produção de 682 toneladas. Deste total, 51,1% eram provenientes da agricultura familiar.
Já no ano passado, foram identificados 318 produtores de pitaya, com uma área de 158 hectares em Minas Gerais. A produção foi de 1.558 toneladas. A participação da agricultura familiar também cresceu e passou para 68,2%.

No Brasil, o cultivo da pitaia começou na década de 90, com a produção concentrada no estado de São Paulo. Na Universidade Federal de Lavras (UFLA), o primeiro cultivo feito para estudos teve início em 2007, com o objetivo de ampliar as pesquisas com essa frutífera. Desde então, uma série de experimentos têm sido desenvolvidos como: propagação, adubação, poda, polinização artificial, colheita e pós-colheita.

Custo inicial é mais alto

A pitaya tem um custo inicial mais alto de implantação, porque é uma planta trepadeira e precisa de sustentação. Mas ela se desenvolve bem, com pouca incidência de pragas e doenças. A fruta tem um preço atrativo e é uma boa atividade para a agricultura familiar, com plantio em pequenas áreas”, explica o coordenador de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio.

A Emater-MG publicou uma cartilha sobre a pitaya em sua Livraria Virtual, para consulta gratuita. O material explica como preparar o solo, fazer a seleção das mudas, a adubação e o plantio. O produtor também pode conferir informações sobre podas, controle de pragas e doenças e até sobre polinização. A Livraria Virtual pode ser acessada no site www.emater.mg.gov.br.

Programa privilegia agricultores familiares

O Pnae é uma oportunidade de comercialização para os pequenos produtores. A lei que regulamenta o programa estabelece que o mínimo de 30% dos recursos repassados aos estados e municípios pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), para a alimentação escolar, devem ser utilizados na compra de alimentos produzidos pela agricultura familiar.

(*) Com informações da Emater-MG.

Participe do canal da Itatiaia no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular. Clique aqui e se inscreva.

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



Leia mais