Bioinsumos da Embrapa ampliam produtividade da alface e controle de doenças no alho

Tecnologias estão disponíveis para parcerias e reforçam manejo agrícola sustentável

Ensaios realizados em casas de vegetação apresentaram resultados altamente positivos

A Embrapa desenvolveu novos bioinsumos que estão disponíveis para empresas interessadas em firmar parcerias voltadas à produção de bioestimulantes e agentes biológicos aplicáveis às culturas de alface e alho. Os ativos FosPHort Lev e FosPHort Mix, destinados à alface, atuam como indutores de crescimento, enquanto os ativos BioSeto20 e BioSeto21, voltados ao alho, têm foco no controle de doenças fúngicas. Ensaios realizados em casas de vegetação apresentaram resultados altamente positivos.

Segundo a pesquisadora Mariana Fontenelle, coordenadora do desenvolvimento dos quatro bioinsumos, o trabalho utilizou a escala de Nível de Maturidade Tecnológica (TRL/MRL), metodologia que permite acompanhar ativos tecnológicos desde a pesquisa até a validação.

Sobre a ampliação dos testes para outras hortaliças, Fontenelle explicou que, neste momento, o foco permanece em alface e alho, mas há abertura para futuras expansões. “À medida que os ativos atualmente em desenvolvimento alcancem um nível operacional de maturidade, a ideia é buscar novos ativos, adaptando-os ou selecionando cepas mais adequadas para outras hortaliças”, afirmou.

Esse cenário é reforçado pela analista Lenita Haber, da área de Transferência de Tecnologia, que destacou o esforço da Embrapa em identificar parcerias com empresas para o escalonamento necessário à produção comercial dos bioinsumos. “Paralelamente ao escalonamento, avançamos na produção, manutenção e validação do material em campo, o que permitirá a obtenção de volumes maiores do produto”, explicou Haber. “A tendência é avançarmos com alternativas baseadas em soluções sustentáveis”, concluiu.

Indução de crescimento em alface

No caso do FosPHort Lev, observou-se incremento médio de 15% a 30% na produção de biomassa fresca da alface e de outras hortaliças de ciclo curto, além da redução de até 40% na necessidade de adubação fosfatada mineral. Entre os benefícios estão o aumento da sustentabilidade dos sistemas agrícolas e a redução do risco de contaminação hídrica por fósforo.

Já o FosPHort Mix é um bioinsumo composto por um mix de leveduras e bactérias que atuam na solubilização do fósforo presente no solo e na promoção do crescimento vegetal. Testes iniciais demonstraram melhor aproveitamento do fósforo, maior desenvolvimento radicular, incremento da biomassa fresca e redução da necessidade de fertilização mineral. O FosPHort Mix se destaca por tornar o fósforo absorvido no solo mais disponível para a planta, aumentando a eficiência nutricional das culturas.

Controle da raiz rosada no alho

O alho também integra a lista de culturas contempladas com bioinsumos disponíveis para parcerias com a Embrapa. Nesse contexto, dois ativos se destacam no controle eficaz da raiz rosada (Setophoma terrestris), doença fúngica que afeta a cultura: o BioSeto20, produzido à base de leveduras, e o BioSeto21, que promove aumento da massa seca das raízes, maior altura e redução da severidade da doença.

Em ensaios controlados, o uso dos bioinsumos reduziu a severidade da doença e estimulou o desenvolvimento das plantas, entregando uma solução promissora para o manejo de patógenos de solo e para o fortalecimento da agricultura de base biológica no Brasil, capaz de garantir sistemas de produção mais resilientes diante de variações de solo e altas temperaturas.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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