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O zoneamento funciona como um instrumento de gestão de risco climático e, no caso do alho, abrange as regiões
Os estudos foram elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças (DF), em conjunto com associações de produtores e instituições de ensino e de pesquisa agropecuária. O objetivo do zoneamento para a cultura do alho foi identificar as áreas de menor risco climático e definir os melhores períodos de plantio no Brasil, visando reduzir perdas de produção e obter melhores rendimentos.
Alho em climas tropicais e subtropicais
Os estudos consideraram as cultivares de alho nobre, que representam a maior parte da produção nacional que chega aos mercados, pois alcançam maior valor comercial e atendem melhor às exigências do consumidor em termos de qualidade de bulbo. Na opinião do pesquisador Francisco Vilela, membro da equipe Zarc Alho, a subdivisão do zoneamento em duas regiões, em função do clima tropical ou subtropical, é o aspecto mais relevante porque, apesar das variedades serem as mesmas, as épocas de plantio e os sistemas de produção apresentam diferenças.
No Zarc, as cultivares de alho foram classificadas em dois grupos para cultivo em região com clima tropical e em três grupos em regiões subtropicais, conforme a época de plantio e a duração média do ciclo da cultura e das fases de interesse para avaliação de riscos.
“No cultivo do alho é fundamental utilizar somente cultivares testadas e recomendadas para cada local e época, se baseando sempre na orientação técnica da assistência técnica e extensão rural e de empresas habilitadas na área”, recomendou o pesquisador Marcos Braga, responsável técnico pelos estudos.
Principais riscos climáticos para o alho
Como o alho é uma espécie originária do continente asiático, em regiões de clima frio, para a cultura ter um bom desenvolvimento e alta produtividade nas condições brasileiras são necessárias algumas condições ideais de temperatura e fotoperíodo.
As cultivares de alho nobre são originárias do sul do Brasil e requerem mais de 13 horas diárias de luz e temperaturas médias diárias mais baixas, entre 13 e 18ºC, para formação de bulbos graúdos e com valor comercial. Cultivares mais precoces respondem ao estímulo de dias mais curtos, enquanto materiais tardios, como os alhos nobres, dependem de dias mais longos para conseguir formar bulbos. “Quando o número de horas de luz fica abaixo do mínimo exigido pela cultivar ocorre somente o crescimento vegetativo da planta”, explicou Braga.
Em relação à temperatura, o alho exige temperaturas amenas (18º a 20ºC) na fase inicial do ciclo, temperaturas mais baixas (10º a 15ºC) durante as fases vegetativa e de bulbificação, e temperaturas mais elevadas (20º a 25ºC) no período de maturação. Segundo o pesquisador, o acúmulo de horas de frio é fundamental para a resposta do alho ao fotoperíodo, resultando em boa formação dos bulbos e produtividade da lavoura.
Assim, em condições subtropicais, a temperatura média deve ser menor que 14ºC e a temperatura máxima não pode ultrapassar 31ºC no período que se estende do plantio até o início da bulbificação das plantas. Já em condições tropicais, por exemplo, o Zarc determinou que a temperatura média não pode ser superior a 12ºC nem a máxima acima de 32ºC.
Outro exemplo de análise realizada no zoneamento que difere em função das regiões de cultivo é a altitude, a qual afeta a produção de alho nobre em produtividade e qualidade. Em regiões subtropicais, a altitude mínima para estabelecer os cultivos deve estar acima de 600 metros, enquanto em locais tropicais tem que ser superior a 750 metros.
Outros riscos associados ao alho
Com um sistema radicular superficial, o alho é uma planta bastante sensível à falta de água. Contudo, a irrigação em excesso também pode prejudicar a produtividade e a qualidade dessa hortaliça, notadamente em solos com problemas de drenagem. Assim, irrigar no momento correto e na quantidade adequada é decisivo para a obtenção de altas produtividades e a qualidade do produto.
O cultivo do alho em áreas onde já tenha sido identificada a ocorrência de podridão branca (Stromatinia cepivora Berk. sin. Sclerotium cepivorum) é considerado de alto risco. “Esse fungo pode causar danos em todas as fases de crescimento da planta e seu desenvolvimento é favorecido por temperaturas de 10 a 20°C”, explicou Braga. Ele enfatiza que o patógeno pode sobreviver por longos períodos de tempo no solo e que não há medidas efetivas para o controle da doença. Ou seja, a sua ocorrência em locais de cultivo pode inviabilizar a produção do alho.