Paraná registra avanço na safra de verão, mas calor e chuvas irregulares preocupam

Soja entra em fase crítica, safrinha enfrenta falta de umidade e clima pressiona produção

Colheita de soja

A colheita da safra de verão 2025/26 no Paraná atingiu 14% da área de soja e 10% da de milho, avançando sob um cenário de forte contraste térmico e instabilidade. Os dados fazem parte da análise do Departamento de Economia Rural (Deral), baseada em dados meteorológicos do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

A semana iniciou com calor intenso superior a 30°C no Oeste e Noroeste, seguido por tempestades severas que cruzaram o Estado no fim da semana passada, principalmente na quinta-feira (29). Esse padrão climático coloca as lavouras de soja em alerta, visto que 59% da cultura está em fase de floração e frutificação, períodos de máxima exigência hídrica onde o estresse térmico pode comprometer a produtividade final.

Embora o milho de primeira safra apresente resultados robustos, com produtividades superando médias históricas, a irregularidade das chuvas já impacta o planejamento da “safrinha”. O plantio da segunda safra de milho chegou a 12% e o de feijão a 28%, mas o ritmo das semeadoras é limitado pela escassez de umidade no solo em diversas regiões. Conforme o monitoramento técnico, a continuidade do cenário de estiagem regional, somada a atrasos pontuais na colheita da soja, é o principal desafio para o estabelecimento das novas lavouras no curto prazo.

No setor de hortaliças e frutas, o impacto do clima e do mercado exige estratégias de adaptação. Enquanto a colheita da cebola foi concluída, produtores optam pelo armazenamento para enfrentar os baixos preços de mercado. Já as hortaliças de campo aberto demonstram sinais de estresse hídrico, exigindo atenção redobrada à irrigação devido à combinação de altas temperaturas e chuvas abaixo da média. Na região Sul, a safra de maçã apresenta produtividade elevada, mas o setor relata dificuldades operacionais pela carência de mão de obra especializada para o período de colheita.

Já a pecuária paranaense encontra suporte no bom índice de massa verde das pastagens, favorecendo o manejo do gado. Entretanto, o Deral alerta para o déficit hídrico em áreas do Norte e Sul paranaenses, que pode interromper a recuperação dos pastos caso a estiagem se prolongue.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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