Carne bovina: China sinaliza flexibilizar cotas e Brasil pode evitar sobretaxa de 55%

Em entrevista à CNN, o ministro Carlos Fávaro afirmou que Pequim acena positivamente para que o Brasil utilize sobras de cotas de outros países

Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas para a China

Em meio às incertezas geradas pelas salvaguardas chinesas anunciadas em dezembro, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, trouxe um tom de otimismo para o setor nesta segunda-feira (9). Em entrevista à CNN, o ministro afirmou que as autoridades de Pequim deram uma “sinalização favorável” às demandas brasileiras por maior flexibilidade nas cotas de exportação de carne bovina.

A negociação, que tem sido conduzida diretamente pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, busca aliviar o impacto das restrições sobre o principal mercado da proteína brasileira. Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas para a China, volume muito superior à cota de 1,106 milhão estabelecida para 2026.

As duas frentes de negociação

O governo brasileiro apresentou duas solicitações estratégicas que, segundo Fávaro, receberam respostas positivas:

  1. Exclusão do estoque em trânsito: A primeira demanda é que toda a carne embarcada até 31 de dezembro de 2025 seja contabilizada no ano passado, mesmo que tenha chegado aos portos chineses em janeiro de 2026. “Isso já está avançado”, garantiu o ministro.
  2. Redistribuição de cotas: O Brasil quer absorver o excedente de cotas não utilizadas por outros países, como Estados Unidos e Uruguai. Como os EUA têm importado carne e o Uruguai historicamente não atinge o teto estipulado, o Brasil se posiciona para suprir essa lacuna pagando a tarifa de 12%, em vez da punitiva sobretaxa de 55% aplicada fora da cota.

"É de interesse chinês que os exportadores brasileiros possam atender a essa demanda excedente”, pontuou Fávaro, destacando que a China depende do fornecimento estável do Brasil para garantir sua segurança alimentar.

O peso da sobretaxa

O sistema de salvaguardas impõe um desafio logístico e financeiro sem precedentes. O que é exportado dentro da cota paga 12% de tarifa; o que ultrapassa o limite sofre uma sobretaxa de 55%, o que inviabilizaria a competitividade do produto brasileiro frente a outros fornecedores.

A expectativa é que esses termos sejam selados e formalizados durante o próximo encontro da Cosban (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível), previsto para ocorrer no Brasil ainda em 2026.

Leia também

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

Ouvindo...