O setor pecuário brasileiro consolidou um modelo de negócio onde o ditado “do boi só se perde o berro” é levado ao pé da letra. Muito além da
Estratégia de aproveitamento total permite que o Brasil atenda tanto ao mercado de luxo europeu quanto às demandas de segurança alimentar em países em desenvolvimento, além de abastecer indústrias de energia e moda.
Mapa do aproveitamento: para onde vai cada parte do boi?
A eficiência do setor está na capacidade de destinar cada subproduto ao mercado que melhor o remunera. Confira os principais destinos:
| Categoria | Produtos | Principais Mercados |
| Cortes nobres | Picanha, Filé Mignon | União Europeia, Restaurantes Premium |
| Cortes industriais | Acém, Paleta | China, Egito, Indonésia, Chile |
| Miúdos | Fígado, Língua, Bucho, Rabada, Pênis | Hong Kong, Vietnã, Nigéria, Peru |
| Subprodutos | Couro (Wet Blue e acabado) | Itália, China, EUA (Moda e Automotivo) |
| Energia e química | Sebo Bovino | Singapura, Holanda (Biodiesel e Cosméticos) |
| Saúde e nutrição | Colágeno, Heparina, Pet Food | EUA, Japão, Alemanha, França |
Carne bovina: China sinaliza flexibilizar cotas e Brasil pode evitar sobretaxa de 55% Fêmeas Hereford valorizam 115% e batem recorde de preços em 202 5Com China e EUA, Brasil bate recorde histórico de exportação de carne bovina em janeiro
Eficiência econômica e sustentável
“Quando falamos em exportação, muita gente pensa apenas nos cortes nobres, mas o diferencial está no aproveitamento integral. Isso torna a cadeia mais competitiva e sustentável”, explicou Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).
A diversificação é surpreendente:
- Culinária exótica: itens como
pênis bovino e bucho são iguarias em mercados asiáticos e africanos, superando em valor alguns cortes tradicionais brasileiros. - Indústria Farmacêutica: o boi fornece insumos valiosos como a heparina (anticoagulante) e colágeno para mercados de alta tecnologia, como Japão e França.
- Energia limpa: o sebo bovino tornou-se protagonista na produção de biodiesel na Europa, transformando o que antes era resíduo em combustível renovável.
Fertilizantes e pet food
Até mesmo o que resta do processamento, como ossos e sangue, encontra destino certo. Transformados em farinhas ricas em nutrientes, esses produtos abastecem o setor de ração animal (pet food) na América Latina e Tailândia, enquanto os ossos viram fertilizantes orgânicos utilizados na agricultura sustentável do Canadá e da Europa.
Para o Imac, essa integração é o que garante a resiliência do setor frente às oscilações globais. Ao não desperdiçar nada, o Brasil maximiza a receita por animal abatido e reforça sua posição como o maior exportador de carne bovina do mundo.