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Sete mil produtores rurais ‘gritam’ no Expominas pelo fim da importação de leite em pó; entenda

Pecuaristas de leite de várias partes do estado lotaram o Espaço Multiuso do Expominas

Se era ‘gritar’ que eles queriam, conseguiram. O evento “Minas Grita pelo Leite” no espaço Multiuso do Expominas, na Gameleira, em Belo Horizonte, superou as expectativas dos organizadores. Calcula-se que cerca de 7 mil produtores rurais de várias partes do Estado compareceram. Carregando faixas e cartazes com palavras de ordem, eles lotaram o lugar, protestaram contra o excesso de importações de leite em pó, rezaram o ‘Pai Nosso’, cantaram o hino nacional, ouviram discursos do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais, Antônio de Salvo, do governador Romeu Zema (Novo); do secretário de Estado Thales Fernandes e de vários outros políticos, como o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite. Ao final, todos assinaram um Manifesto que será enviado ao presidente Lula e ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

O que eles reivindicam?

Entre as principais reivindicações do documento, estão o fim das importações de leite em pó do Uruguai e da Argentina; ampliação dos prazos de pagamento do crédito rural e inclusão definitiva do leite nos programas de alimentação do governo. Antônio de Salvo agradeceu a presença de todos os que ‘deixaram suas atividades e vieram para a capital lutar pelos interesses da classe e pela manutenção da atividade leiteira’. “Estejam certos de que vocês vão voltar para suas fazendas muito mais confiantes”, prometeu.

Fim da isenção de ICMS para quem importar

E cumpriu. A plateia comemorou com gritos, palmas e assobios quando o governador anunciou que, a partir de agora, laticínio que comprar leite importado em Minas, perderá a isenção do ICMS. Em seu discurso, o governador reconheceu a ‘enorme importância’ econômica e social dos cerca de 220 mil micro e pequenos produtores de leite do Estado, gente que gera emprego e renda no campo. “Essas pessoas têm sofrido muito com a concorrência desleal do leite importado. Eu tenho acompanhado a vida no campo. Estou sempre no interior do estado, com o ‘Toninho” (presidente da Faemg) e tenho visto muitos deles ‘jogarem a toalha’ e venderem seus equipamentos de ordenha porque quanto mais produzem, mais prejuízos têm tido. Isso tem que acabar. Espero que essa alíquota de importação seja revista pelo Governo Federal o quanto antes. A Faemg e a CNA (Confederação Nacional da Agricultura do Brasil) têm lutado por essa questão e ela precisa ser repensada, caso contrário corremos o risco de ver esses produtores com suas atividades inviabilizadas e quando a importação cair e o leite estrangeiro deixar de chegar, essas pessoas não estarão mais aptas a produzir, ocasionando um problema social sem precedentes”, alertou o governador.

De Salvo complementou dizendo que o evento não ficará restrito a Minas. “Somos o Estado mais afetado porque somos os maiores produtores. Mas esse é um problema que afeta várias partes do país e vamos sair por aí, ‘gritando’ cada vez mais alto. Por enquanto, nosso grito é de dor ou de raiva. Vamos ver se eles conseguem nos entender por bem. Se não conseguirem, se o que estamos fazendo de forma ordeira e pacífica, não der resultado, veremos o que será preciso fazer para que nos entendam”, disse De Salvo, subindo o tom.

‘A questão não é mais técnica. É de falta de vontade política’

O secretário Thales Fernandes disse à Itatiaia que ficou muito satisfeito com a grande adesão ao “Minas Grita pelo Leite”. “É isso que queremos: sermos ouvidos. A gente sabe que a solução existe. Há um ano e três meses atrás não existia esse problema. Ele foi criado há um ano e três meses e todo mundo sabe do que que eu estou falando. Tudo que negociamos com o Governo Federal, não fomos atendidos até agora. Esse movimento é exatamente para cobrar, para que eles saibam que estamos no calcanhar deles.”

O secretário também agradeceu ao governador a publicação do decreto que retira isenção do ICMS dos laticínios que importam leite. Mas lembrou que providências, como essa, precisam ser tomadas a nível nacional. “Precisamos voltar a ter previsibilidade e estabilidade na pecuária leiteira, como tínhamos há dois, três anos atrás. Nunca foi o melhor negócio do mundo, mas não pode ser do jeito que está agora. Eu também sou produtor rural e sinto isso na pele. A questão não é mais técnica, é de falta de vontade política”.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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