O Augym, plataforma digital desenvolvida pela empresa mineira Queima Diária, aposta no uso da tecnologia para promover saúde, bem-estar e autonomia da população idosa. Voltado para pessoas com mais de 60 anos, o produto oferece treinos on-line personalizados, adaptados às necessidades e limitações naturais da idade.
Segundo Mariana Eyer, CEO da Queima Diária, do grupo Smart Fit, a iniciativa reflete uma mudança no foco da inovação digital, que por muito tempo esteve associada à juventude e à alta performance. Para ela, o envelhecimento com autonomia passou a ocupar um papel central na transformação digital da saúde.
De acordo com a executiva, nos últimos anos a tecnologia redefiniu a forma como as pessoas cuidam do corpo e da mente. Plataformas de exercícios, consultas on-line e aplicativos de monitoramento passaram a fazer parte da rotina.
Ela destaca que o cuidado com a saúde tornou-se mais acessível, com ferramentas digitais presentes no dia a dia da população.
Para Mariana, o principal diferencial dessa nova etapa da inovação em saúde e bem-estar é a personalização. Segundo ela, a tecnologia também passa a incluir públicos historicamente afastados do ambiente digital, como pessoas com 65 anos ou mais.
A CEO afirma que essas soluções contribuem para promover autonomia, bem-estar físico e cognitivo e maior longevidade, em um país que envelhece de forma acelerada.
Como exemplo, Mariana cita uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre o uso da realidade virtual não imersiva na prática de exercícios físicos por idosos.
O estudo foi conduzido pela educadora física Thaís Sporkens Magna, junto à Faculdade de Ciências Médicas (FCM), em parceria com a Faculdade de Educação Física (FEF).
Durante quatro meses, 24 pessoas com cerca de 70 anos participaram das atividades. Segundo os resultados, houve melhora na locomoção, no equilíbrio e na motivação dos participantes.
Também foram observados benefícios cognitivos, como avanços na memória, no raciocínio e na resolução de problemas.
Mariana Eyer afirma que pesquisas desse tipo ajudam a romper preconceitos e oferecem parâmetros para o desenvolvimento de tecnologias mais adequadas às necessidades da população idosa.
Ela reforça que o Augym segue essa lógica ao oferecer treinos planejados para fortalecer corpo e mente, respeitando o ritmo individual, sem abrir mão de rigor técnico e estímulo motivacional.
A executiva também aponta que a digitalização da saúde traz desafios, especialmente relacionados à proteção de dados, ética e transparência.
A tecnologia não substitui o cuidado humano, mas pode ampliar o alcance dos profissionais quando aliada à escuta e à empatia.
Para Mariana Eyer, a inovação em saúde deve ser vista como uma ferramenta de inclusão. A digitalização não é apenas um avanço técnico, mas uma responsabilidade coletiva ligada à forma como a sociedade escolhe viver, cuidar e envelhecer.