Vírus Nipah: OMS afirma que há baixo risco de transmissão global e dispensa restrições de viagens

Dois casos foram confirmados na Índia; Organização Mundial de Saúde estuda desenvolvimento de uma cura para a doença

Índia já enfrentou crise contra Nipah em 2023

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que não recomenda restrições a viagens ou comércio à Índia, após a confirmação de dois casos do vírus Nipah no país. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (30), o órgão destacou que há baixo risco de propagação da doença.

Mesmo alegando um baixo risco de transmissão global, a OMS classifica o Nipah como prioritário o Plano de P&D - indica a necessidade urgente de acelerar a pesquisa e desenvolvimento de uma cura para o vírus.

Leia mais:

Cerca de 110 pessoas na Índia foram aconselhadas a fazer quarentena em meio a um novo surto do Nipah. O isolamento aconteceu depois que dos funcionários de saúde foram infectados.

Os pacientes são um homem e uma mulher de 25 anos, que trabalham no mesmo hospital particular, segundo a OMS. Os dois apresentaram os primeiros sintomas no fim de dezembro e a infecção evoluiu rapidamente para complicações neurológicas.

O último boletim médico, divulgado no dia 21 de janeiro, apontou que o homem infectado estava se recuperando, enquanto a mulher estava em estado crítico.

O que se sabe sobre o vírus Nipah

O primeiro surto foi reconhecido na Malásia e, posteriormente, atingiu a Singapura, há 27 anos. Na época, a maioria das infecções humanas aconteceram após o contato direto com porcos doentes.

Casos também foram confirmados em Bangladesh e na Índia, quando o vírus se espalhou diretamente de pessoa para pessoa. Em Siliguri, na Índia, em 2001, a transmissão do Nipah também foi relatada em um ambiente de saúde, onde 75% dos casos foram diagnosticados entre funcionários ou visitantes de um hospital, segundo a OMS.

Sintomas

As pessoas infectadas podem apresentar sintomas como febre, dores de cabeça, dor muscular, vômitos e dor de garganta. Em seguida, podem surgir sinais como tonturas, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos que iniciam encefalite.

Alguns pacientes também podem apresentar pneumonia atípica e problemas respiratórios graves. Encefalite e convulsões ocorrem em casos graves, podendo evoluir para coma em 24 a 48 horas.

Diagnóstico

O vírus Nipah pode ser diagnosticado com base no histórico clínico durante as fases aguda e de convalescença da doença. Os principais testes utilizados são o RT-PCR em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por meio do ensaio imunoenzimático também é utilizada para verificar a presença do vírus.

O exame RT-PCR é um teste de laboratório que também é usado para confirmar a existência de infecções por vírus como Zika, Ebola, H1N1 e Covid-19. O método pode ser feito através de amostrar biológicas, incluindo sangue e secreções do fundo da garganta e narinas.

Tratamento

Não existem medicamentos ou vacinas específicos para a infecção pelo vírus embora a OMS tenha identificado o Nipah como uma doença prioritária no Plano de Pesquisa e Desenvolvimento.

É recomendado um tratamento intensivo de suporte para complicações respiratórias e neurológicas graves.

Leia também

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

Ouvindo...