O que fazer em caso de intoxicação por animais peçonhentos?

Chuvas e altas temperaturas, além do aumento de pessoas em áreas verdes, são fatores que elevam o número de atendimentos no Hospital João XXIII

O Hospital João XXIII registrou mais de 2 mil casos de picada de escorpião no último ano

O verão e as férias em janeiro alertam profissionais da saúde sobre casos de intoxicações causadas por animais peçonhentos. O Hospital João XXIII registrou um crescimento nos atendimentos nesta época nos últimos anos.

Em 2025, a unidade registrou 4.239 casos de acidentes com peçonhentos, sem contar atendimentos relacionados a picadas de abelhas. Deste número, 2.028 foram causados por escorpiões, 1.015 por aranhas, 751 por serpentes e 445 por lagartas.

Os números expressivos são resultado de fatores típicos da época do ano, como chuvas e altas temperaturas. A condição climática afeta os abrigos desses animais, levando-os a sair em busca de locais mais seguros.

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Além disso, o maior fluxo de pessoas em áreas verdes durante o período de férias contribui para a alta no número de ocorrências.

O que fazer em casos de acidentes?

Em caso de acidente as primeiras medidas de socorro são manter a vítima calma e lavar o local atingido com água e são. O coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Minas Gerais (CIATox-MG), Adebal de Andrade Filho, alerta que não se deve fazer torniquete, furar, espremer ou sugar a região afetada, nem oferecer qualquer tipo de alimento ou bebida.

Depois dos primeiros socorros, é recomendado tentar fotografar o animal de diferentes ângulos, sempre mantendo uma distância de segurança: cabeça, cauda, dorso e região ventral, se possível.

As imagens vão permitir a identificação precisa pela equipe de saúde, possibilitando o tratamento correto o mais rápido possível.

“Não se deve acuar nem tentar capturar o animal. Caso ele represente risco ou esteja em ambiente doméstico, deve-se avaliar a necessidade de acionar o Corpo de Bombeiros Militar, por exemplo, para captura. A orientação é nunca se expor a riscos, especialmente em situações envolvendo enxames de abelhas ou serpentes, que são ágeis e podem levar a acidente quando manipuladas ou perturbadas”, explicou Adebal.

A vítima deve ser encaminhada à unidade de saúde mais próxima do local do acidente. No atendimento, os profissionais poderão identificar se o animal é peçonhento ou não e iniciar o tratamento.

O CIATox-MG integra o Serviço de Toxicologia do Hospital João XXIII e oferece atendimento 24h para orientar pacientes e profissionais da saúde de outras unidades sobre como proceder diante de emergências. É possível entrar em contato por meio do número: 0800 722 6001.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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