Fibromialgia como deficiência: veja o que dizem especialistas sobre diagnóstico e tratamento
Nova lei amplia direitos, mas profissionais alertam para avaliação individual e tratamento integrado

A Lei 15.176/2025, que reconhece a fibromialgia como deficiência a partir de janeiro de 2026, amplia direitos para os cerca de 6 milhões de brasileiros com a síndrome. Entre os benefícios estão acesso a centros especializados do SUS, isenção de impostos, prioridade em filas e cotas em concursos públicos.
Fibromialgia como deficiência
A fibromialgia é uma doença crônica caracterizada por dor generalizada, fadiga persistente, sensibilidade ao toque, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e rigidez muscular. A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas envolve alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso, fatores genéticos, desequilíbrios neuroquímicos e gatilhos como estresse físico ou emocional.
Especialistas alertam que o diagnóstico e o reconhecimento da deficiência exigem avaliação rigorosa do impacto real na funcionalidade do paciente.
“Doença não é deficiência. O que deveria determinar se alguém é pessoa com deficiência é a presença de um impedimento físico de longo prazo que, em interação com barreiras, limite sua participação na sociedade”, afirma o fisioterapeuta Victor Aquino, especialista pela Sonafe Brasil. Ele diz que a nova lei abre acesso a cuidados para pessoas com deficiência, incluindo centros de reabilitação no SUS, e destaca benefícios como isenção de IPI e prioridade em filas.
A médica Flávia Magalhães vê avanços e riscos no reconhecimento automático da fibromialgia como deficiência. Segundo ela, a lei facilita acolhimento institucional, acesso a benefícios e adaptações laborais, mas alerta para a variação da doença entre pacientes e o risco de distorções no sistema previdenciário. “Essa complexidade torna o diagnóstico suscetível a falsos positivos, o que pode afetar a formulação e a sustentabilidade de políticas públicas”, afirma.
Tratamento
No tratamento, Dra. Flávia reforça a importância de acompanhamento médico multimodal, com medicações, exercícios físicos, psicoterapia e técnicas de relaxamento. “O suporte contínuo da equipe de saúde reduz crises, evita afastamentos prolongados e promove a inclusão social, preservando a dignidade e autonomia do paciente.”
Para Victor Aquino, a fisioterapia isolada não resolve. O modelo multiprofissional favorece a reinserção no trabalho, desde que haja adaptações como jornada reduzida e horários flexíveis. “O desafio é garantir que esse processo seja humanizado e não se transforme em uma sobrecarga de terapias, como já acontece em alguns casos de judicialização.”
Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.



