Colágeno funciona? Estudo mostra o que o suplemento realmente faz na pele

Análise de mais de 100 estudos aponta que ingestão do suplemento traz efeitos modestos e não impede o envelhecimento cutâneo

Colágeno

Apesar da crescente popularidade dos suplementos de colágeno, estudos científicos recentes indicam que os efeitos do produto sobre a pele têm limites. Uma revisão ampla da literatura publicada no periódico Aesthetic Surgery Journal Open Forum analisou 113 ensaios clínicos com quase 8 mil participantes e apontou que a suplementação oral pode trazer pequenas melhorias na elasticidade e na hidratação da pele, mas não há evidências consistentes de que o produto seja capaz de prevenir ou reduzir rugas de forma significativa.

Segundo os pesquisadores, parte da confusão em torno dos benefícios do colágeno está ligada à forma como o suplemento age no organismo. “É importante entender que o colágeno ingerido não atua diretamente na pele da forma como muitas campanhas de marketing sugerem”, destaca o biomédico mineiro mestre em Medicina Estética e professor universitário, Thiago Martins.

Conforme o especialista, isso ocorre porque, ao ser consumido, o colágeno passa pelo processo de digestão no trato gastrointestinal e é quebrado em aminoácidos e pequenos peptídeos. Esses componentes são então distribuídos pelo corpo de acordo com as necessidades metabólicas do organismo. “Ou seja, esses componentes não são direcionados exclusivamente para a pele”, acrescenta.

Alguns estudos apontam que certos peptídeos derivados do colágeno podem estimular indiretamente os fibroblastos — células responsáveis pela produção de colágeno na derme. Esse mecanismo pode explicar pequenas melhorias em parâmetros como hidratação e elasticidade cutânea, embora alguns especialistas ressaltem que o efeito costuma ser limitado e insuficiente para impedir o surgimento de rugas.

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Os cientistas também destacam que o envelhecimento da pele é um processo complexo. Segundo Martins, fatores como predisposição genética, exposição acumulada à radiação ultravioleta, tabagismo, poluição, alterações hormonais e a perda natural de colágeno ao longo dos anos influenciam diretamente na formação de rugas e na qualidade da pele.

Diante disso, o biomédico destaca que nenhum suplemento isolado é capaz de neutralizar todos esses fatores. “Na prática clínica, a prevenção do envelhecimento cutâneo depende principalmente de medidas com eficácia comprovada”, reforça.

Entre elas estão o uso regular de protetor solar, a adoção de hábitos de vida saudáveis e, quando indicado, tratamentos dermatológicos que estimulam a produção de colágeno na pele, como retinoides tópicos, bioestimuladores e outras tecnologias utilizadas em consultório.

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo

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