Preço de alimentos frescos cresce menos que o de ultraprocessados e pode favorecer dieta mais saudável

A variação de preços está associada a fatores sazonais

O preço dos alimentos no Brasil tem apresentado oscilações nos últimos anos, influenciado por fatores econômicos e climáticos que afetam toda a cadeia de produção e consumo. Condições climáticas extremas, comuns durante o verão, como chuvas intensas e ondas de calor, podem comprometer safras e reduzir a oferta de produtos, provocando aumentos temporários nos preços.

Segundo o pesquisador Walter Belik, da Universidade de São Paulo e da Cátedra Josué de Castro, a dinâmica recente da inflação dos alimentos também foi impactada pelo aumento dos custos de serviços, especialmente no setor de alimentação fora de casa. Despesas com mão de obra, aluguel, energia elétrica e fornecedores contribuíram para elevar o preço final em restaurantes e estabelecimentos do setor.

Apesar disso, o comportamento dos preços dos alimentos apresentou mudanças em relação ao início de 2025, quando o setor pressionava a inflação. De acordo com o pesquisador, o início de 2026 registrou um cenário diferente: o índice de alimentos e bebidas ficou abaixo da inflação geral medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Em janeiro, o indicador para alimentos e bebidas foi de 0,23%.

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Influência do clima e sazonalidade

A variação de preços também está associada a fatores sazonais. No início do ano, as condições climáticas típicas do verão costumam afetar a produção agrícola e elevar temporariamente o valor de alguns produtos.

Itens como tomate, alface e repolho tendem a registrar altas nesse período devido às chuvas intensas e ao calor em determinadas regiões produtoras. No inverno, por outro lado, o comportamento de preços costuma ser influenciado por outros fatores, como a produção de laticínios e produtos sensíveis às temperaturas mais baixas.

Belik explica que o próprio mercado costuma reagir a essas oscilações. Quando a oferta de determinado alimento cai e os preços sobem, produtores tendem a ampliar a produção, o que posteriormente aumenta a oferta e contribui para a queda dos preços. Em 2025, por exemplo, alguns itens alimentícios chegaram a registrar deflação após um período inicial de forte alta.

Mudança no padrão de preços

Outro movimento recente observado no país envolve a relação entre os preços de alimentos naturais e ultraprocessados. Nos últimos anos, produtos industrializados costumavam apresentar aumentos menores ou até quedas de preço em comparação com alimentos frescos. Esse cenário começou a se inverter.

Em 2025, alimentos in natura e minimamente processados tiveram variação de apenas 0,32%, enquanto os ultraprocessados registraram aumento de 6,39%. A mudança faz com que produtos frescos se tornem relativamente mais acessíveis ao consumidor.

Alguns alimentos naturais, como banana, limão, melancia e laranja-pera, apresentaram queda de preços recentemente, mesmo diante de eventos climáticos adversos. De forma geral, segundo o pesquisador, a inflação dos alimentos deixou de exercer forte pressão sobre a inflação total, o que pode favorecer mudanças positivas nos hábitos alimentares da população.

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