Sem dúvida, a perda da sambista mineira Adriana Araújo foi dramática e triste, por ser precoce. Iguais à dela, outras milhares de mortes acontecem, por ano, no Brasil. O cenário mais comum é o de mulheres, entre 20 a 60 anos, fumantes e hipertensas.
A questão é que a morte por aneurisma cerebral pode ser evitada, em alguns casos. Para isso, basta ter bom conhecimento da história familiar, atenção aos sintomas de alerta e acesso adequado à avaliação da saúde.
O grande problema é que, na maioria das vezes, essa doença não apresenta qualquer sintoma, até se tornar um risco iminente de morte – quando se rompe, gerando uma hemorragia grave, denominada subarcnoidea. Por isso, identificar o aneurisma, precocemente, pode ser a única saída.
Qual frequência na população?
Cerca de 2% das pessoas têm aneurisma cerebral, não roto. O rompimento ocorre em 6 a 10 casos por 100.000 habitantes e provoca a morte de 30% a 40% dos pacientes. Estudos demonstram maior risco entre as mulheres, de 30 a 60 anos, fumantes e hipertensas.
E o que é essa doença?
Trata-se de uma dilatação atípica na parede enfraquecida de uma artéria do cérebro. Na região, forma-se uma espécie de “balão” de sangue, que pode crescer e se tornar gradativamente mais frágil, podendo romper-se. Envolve importante fator genético.
Distribuição mais frequente
Existem aneurismas em diversas partes do corpo, como nos vasos do coração, do abdome. No cérebro, ocorre nas seguintes localizações:
- Artéria comunicante anterior (mais comum: 30% a 35%);
- Artéria comunicante posterior (20% a 25%) (pode dar sintomas, se acomete o nervo oculomotor);
- Artéria cerebral média (20%);
- Artéria basilar (menos comum).
Quais são os sintomas?
Em grande parte dos casos, não há pistas. Já em outros, o paciente pode apresentar alterações. Quando o aneurisma cresce e comprime alguns nervos cranianos, como o oculomotor (mais comum); o óptico; o abducente; o troclear; o trigêmeo (mais raro), há sintomas como:
- Queda da pálpebra, visão dupla, pupila dilatada, olho desviado para fora e para baixo;
- Perda de campo visual, visão borrada;
- Dificuldade de olhar para fora; visão dupla horizontal;
- Dificuldade de olhar para baixo, visão dupla vertical;
- Dor facial, formigamento na face; perda de sensibilidade facial.
Sintomas de alerta, antes do rompimento: cefaleia sentinela
Alguns pacientes têm sorte de apresentar a cefaleia sentinela, que é um pequeno vazamento de sangue local. Costuma ocorrer até uma semana antes do episódio grave e, possivelmente, fatal.
É uma dor de cabeça súbita, que se torna máxima em segundos; muito intensa; com início após esforço físico, como atividade física ou relação sexual; diferentemente de possíveis dores habituais. Pode vir acompanhada de náusea, vômito, rigidez no pescoço, sensibilidade à luz.
Pode ser confundida com outros tipos de dores de cabeça, como a enxaqueca, que tem algumas dessas características. Para diferenciá-la, os médicos sugerem ao paciente observar se é a “pior dor que já teve” ou se é “diferente e mais intensa que as anteriores”.
Descobrir antes da ruptura: prevenção
É possível investigar a existência da doença, em situações especiais. Quando o paciente tem dois ou mais familiares, de primeiro grau, com história de aneurisma cerebral, o neurologista deverá solicitar um exame de imagem, como a angio-ressonância do cérebro, ou outros.
Achou um aneurisma, o que fazer?
O especialista irá classificar o risco de rompimento. Usará informações, tais como tamanho, localização, irregularidade da parede do aneurisma, além de verificar fatores de risco individuais – como hipertensão, tabagismo e morte familiar por aneurisma.
A partir dessa avaliação, o médico definirá os próximos passos. Em alguns casos, fará exames rotineiros para acompanhar o crescimento do aneurisma cerebral, em outros, irá propor cirurgia.
Bênçãos aos familiares de Adriana Araújo e de tantos outros pacientes, na mesma situação.