Da esperança à cautela: tudo o que se sabe sobre o tratamento com a polilaminina

Pesquisa ainda está em fase inicial de testes, mas desperta esperança em casos de pacientes com lesões na medula

Substância favorece recuperação de parte do neurônio danificada pela lesão

Uma pesquisa com a polilaminina surgiu como esperança para pessoas com lesões na medula. O estudo ainda está nas fases iniciais dos testes clínicos e é feito usando a laminina como base, uma proteína produzida naturalmente pelo corpo que tem como principal função a regeneração de axônios, parte do neurônio que é rompida numa lesão medular.

O estudo está na primeira etapa necessária para avaliar se a substância poderá ser vendida. Ainda será preciso passar por outras duas fases para avaliar a segurança e a eficácia da molécula. Esse processo pode durar anos.

Até o momento, a pesquisa foi divulgada como um pré-print. Trata-se de um tipo de artigo que ainda não foi avaliado por especialistas externos ao estudo.

Embora ainda não esteja sendo comercializada, pessoas com diferentes tipos de lesão na medula têm obtido acesso ao tratamento por meio de liminares expedidas pela Justiça e relatam bons resultados. Em um estudo preliminar com oito pacientes, dois morreram em decorrência da lesão, enquanto outros seis recuperaram o controle dos movimentos.

“Neste momento, não tenho certeza absoluta ainda que estaremos diante de algo espetacular, mas isso é possível”, destaca a professora e pesquisadora Tatiana Sampaio, que lidera as pesquisas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista à BBC.

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Como a polilaminina age no corpo

A laminina, que é a base da substância desenvolvida em laboratório, é produzida no corpo humano principalmente na placenta. Ao longo do desenvolvimento do embrião, a proteína organiza os tecidos e coordena o crescimento das células.

A polilaminina é um complexo dessa proteína que oferece suporte às células nervosas da medula lesionada. Com essa “ajuda”, os axônios conseguem restabelecer a conexão com o neurônio, perdida na lesão, recuperando a capacidade de movimento.

Para isso, os cientistas extraíram a proteína da placenta de mulheres que foram convidadas a doar o órgão. A partir daí, inicia-se o processo de extração e purificação. No momento da cirurgia, o médico aplica o polilaminina, que forma uma espécie de “rede” no local onde foi aplicada.

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

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