Aplicação de água no lugar de vacina em MG: médico aponta riscos
Pacientes acamados receberam água destilada em vez de vacina da gripe em Bambuí, no Centro-Oeste de Minas Gerais

Pacientes acamados que se vacinariam contra a gripe em Bambuí, no Centro-Oeste de Minas Gerais, receberam água destilada no lugar do imunizante. O caso ocorreu na segunda-feira (4), no PSF Aparecida dos Açudes, e foi confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde nessa quinta-feira (7).
O médico infectologista Leandro Curi explica que a água destilada, em determinadas situações, pode trazer riscos e complicações. Porém, no geral, pequenas quantidades não causam problemas.
"A água destilada, por si só, quando armazenada corretamente e sem qualquer violação do frasco, não costuma apresentar grandes riscos à saúde. No entanto, neste caso específico, é fundamental avaliar com muito rigor como ocorreu essa substituição e se o produto estava realmente estéril e livre de contaminação. Dependendo do volume administrado e das condições em que essa água se encontrava, podem existir riscos e complicações", afirma o profissional.
A secretaria de Saúde da cidade informou que a água destilada é "um produto estéril amplamente utilizado na área da saúde para diluição e preparação de medicamentos e vacinas" e "não contém substâncias tóxicas ou prejudiciais ao organismo". O médico, porém, destaca que a água destilada não é comum na aplicação de vacinas.
"Na vacinação, a água destilada tem uso bastante limitado. Ela não é o principal diluente dos imunizantes, até porque a maioria das vacinas já vem pronta para aplicação, sem necessidade de diluição. Existem alguns imunizantes que utilizam diluentes específicos, como certas vacinas tríplices virais e contra o Haemophilus influenzae, mas, mesmo nesses casos, normalmente não se utiliza água destilada comum", detalha o infectologista.
A água destilada costuma ser usada para diluição em casos de medicamentos como antibióticos injetáveis. "Um exemplo é a Benzetacil, antibiótico à base de penicilina benzatina, que utiliza água destilada como diluente antes da aplicação."
Vacina da gripe
A Campanha Nacional de Vacinação contra a influenza 2026 dura até o dia 30 deste mês. O imunizante está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde (UBS) para grupos prioritários, incluindo pessoas com mais de 60 anos, crianças, gestantes e profissionais de saúde.
"A gripe é uma doença que pode acometer pessoas de forma séria, principalmente aquelas com a imunidade mais baixa. Sempre reforçamos a importância da vacinação em grupos mais vulneráveis, como idosos e crianças, mas é importante lembrar que pessoas com imunidade comprometida, assim como adultos jovens e saudáveis, também podem se infectar e evoluir com quadros graves, incluindo a síndrome respiratória aguda grave", alerta o infectologista.
Segundo o Ministério da Saúde, até 18 de abril deste ano, o Brasil registrou 352 mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada pela influenza. Ao todo, foram 5,5 mil casos confirmados.
“A principal função da vacina é justamente reduzir o risco dessas complicações, diminuindo as chances de hospitalização, necessidade de suporte intensivo e até de intubação. A imunização prepara o organismo para reconhecer o vírus da influenza. Assim, caso a pessoa entre em contato com o vírus, o corpo já possui anticorpos e uma resposta imunológica mais eficiente, o que contribui para uma doença mais leve, com menos sintomas e menor risco de evolução grave”, reforça o médico.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



