BH tem 71 atendimentos de doenças respiratórias por hora em meio à baixa vacinação
Apenas 39,3% dos idosos foram vacinados contra gripe, abaixo do valor preconizado de 90%; público corresponde a três a cada quatro mortes pela doença em BH

Belo Horizonte tem uma média de 71 atendimentos por hora de doenças respiratórias na rede municipal, composta por nove Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nos 153 centros de saúde. O número representa um aumento de 8% em relação à média de 66 por hora em março. Os dados, divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde, alertam para a baixa imunização na capital mineira; a campanha de vacinação tinha expectativa de proteger 90% do público com maior risco, mas ainda não alcançou a meta.
Em entrevista à Itatiaia, a diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica, Tatiani Fereguetti, apontou para a importância da vacinação como a melhor forma de proteção contra a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
“É super importante que a gente reforce com a população a necessidade de imunização, para que, com a população imunizada, a gente consiga controlar a circulação de vírus e a transmissão das doenças respiratórias”, afirmou Tatiani Fereguetti.
Apesar disso, apenas 39,3% dos idosos já foram imunizados. O grupo corresponde a três a cada quatro mortes pela doença em Belo Horizonte: são 79 óbitos de pessoas acima dos 60 anos contra 27 de outras idades. Mesmo baixo, o índice de vacinação dos idosos é o melhor entre os outros grupos de risco.
As gestantes, por exemplo, tiveram apenas 25,7% de cobertura, enquanto as crianças de 6 meses a menores de 6 anos, cerca de 17,4%. De acordo com Tatiani Fereguetti, a imunização evita a evolução para as formas graves da doença, que podem gerar demanda por internação e também provocar óbito.
Casos podem aumentar no outono e inverno
Ainda de acordo com o balanço da Secretaria Municipal de Saúde obtido pela reportagem, até o dia 18 de abril, foram 31053 atendimentos, o que representa uma média de 1725 por dia. Em março, foram 49205 atendimentos, média de 1587.
O infectologista cooperado da Unimed-BH e presidente da sociedade mineira de infectologia, Adelino de Melo Freire Jr, explicou que outono e o inverno são as estações com maior circulação dos vírus respiratórios e, somados à uma baixa vacinação dos públicos de risco, registram uma alta incidência das doenças respiratórias, com mais internações e, consequentemente, mais óbitos.
“Quando a gente tem uma cobertura abaixo do que a gente espera e gostaria, o que acontece é que tem mais pessoas vulneráveis e o vírus encontra uma situação em que ele consegue circular com mais intensidade. Isso leva a mais pessoas doentes, dentre elas pessoas que são mais vulneráveis e que vão precisar de internação e suporte hospitalar”, afirmou Adelino.
Atendimentos por doenças respiratórias
- Janeiro - 26315
- Fevereiro - 26356
- Março - 49205
- Abril - 31053*
* Dados até o dia 18/04
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte
O imunizante contra a gripe é trivalente e protege contra os tipos mais perigosos do vírus: Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B. A população pode garantir uma dose nos 153 centros de saúde da capital e no Serviço de Atenção à Saúde do Viajante, de segunda a sexta-feira. Os endereços e horários de funcionamento podem ser acessados on-line pelo portal da prefeitura.
A vacina está disponível para mais de 1 milhão de pessoas que fazem parte dos grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, idosos, puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, caminhoneiros, entre outros.
Para se vacinar, é necessário levar documento de identificação com foto e o cartão de vacina. Já as puérperas devem apresentar, ainda, a certidão de nascimento do bebê, o cartão da gestante ou o registro hospitalar do parto.
“As vacinas são seguras, são gratuitas e são a melhor forma de prevenção tanto da transmissão quanto da evolução para as formas graves das doenças respiratórias”, destacou a diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica.
Novos leitos e reforço na atenção às doenças respiratórias
Nos últimos dias, o Hospital Odilon Beheren, na Região Noroeste de Belo Horizonte, abriu 10 novos leitos de enfermaria pediátrica. As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também receberam um reforço, e as unidades Leste, Nordeste, Norte, Pampulha, Venda Nova, Barreiro e Oeste contam agora com três médicos em cada um dos plantões.
Em entrevista à Itatiaia, a diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica, Tatiani Fereguetti, ressaltou que o município observa o movimento da curva epidemiológica e o número de demandas por internação para acionamento das próximas etapas do plano de contingência do município.
“A gente tem observado já há algumas semanas um aumento da demanda por atendimento, tanto o atendimento do adulto, atendimento clínico, quanto para o atendimento pediátrico. O volume maior de atendimentos é atendimento de ficha mesmo, de porta, e uma conversão para internações ainda muito dentro do esperado”, pontuou.
De acordo com a secretaria de saúde, a equipe do serviço de teleconsulta foi reforçada e o horário de atendimento foi ampliado, passando a ser das 7h às 20h, durante o período de sazonalidade de doenças respiratórias. Antes, o primeiro agendamento podia ser feito apenas a partir das 8h. Além disso, seis profissionais foram contratados, sendo quatro médicos e dois enfermeiros.
Ao todo, 135 mil atendimentos a pessoas com doenças respiratórias foram realizados nas nove UPAS e nos 153 centros de saúde da capital desde o início do ano. Foram solicitados 4.547 pedidos de internação no Sistema Único de Saúde (SUS-BH) relacionados às doenças respiratórias. Neste período, a capital mineira registrou 106 mortes de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Quando procurar atendimento médico?
Conhecida pela sigla SRAG, a síndrome respiratória aguda grave é caracterizada por uma infecção respiratória severa que provoca dificuldade para respirar e lesões nos pequenos sacos de ar nos pulmões responsáveis pelas trocas gasosas.
A situação compromete a oxigenação do sangue pode ser resultado de diferentes infecções por vírus, como covid-19. Outros vírus que podem levar ao desenvolvimento dessa condição incluem a: gripe (Influenza A e B), o sincicial respiratório - VSR, que afeta principalmente crianças e idosos e pode causar bronquiolite, e adenovírus.
De acordo com o presidente a Sociedade Mineira de Infectologia, Adelino de Melo Freire Júnior, a SRAG começa com sintomas de um quadro gripal como febre, tosse, dor no corpo, mal-estar, às vezes dor de garganta, dor de cabeça e cansaço.
O infectologista explicou que o sinal de alerta mais relevante é quando a falta de ar se acentua e a respiração fica mais rápida. De acordo com ele, algumas pessoas podem ter lábios e extremidades mais arroxeadas, às vezes confusão mental, sonolência excessiva e essa piora evolui rapidamente.
“Esses são sintomas que levam ao alerta, que a pessoa precisa de uma avaliação médica de forma rápida. Nessa situação deve procurar um hospital, investigar se há necessidade de internação, se há necessidade de início de antibióticos ou antivirais”, informou Adelino de Melo Freire Júnior.
Ele ressaltou, ainda que, em idosos, às vezes, a febre não aparece. “A manifestação é mais uma piora do estado geral, uma prostração, às vezes confusão mental, que são os sinais mais frequentes nessa população”, contou.
Ainda conforme o infectologista, o principal risco da doença é a piora da oxigenação, que leva à necessidade de atendimento hospitalar e muitas vezes de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com eventual necessidade de intubação, de suporte de ventilação mecânica.
Alguns grupos, como as crianças menores de seis anos, os idosos com mais de 60 anos, as gestantes e as pessoas que vivem com comorbidades, possuem um risco maior de adoecimento e de evolução para as formas graves da doença, apontou a diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica, Tatiani Fereguetti.
“A gente identifica alguns grupos com maior vulnerabilidade, maior suscetibilidade para a evolução, para as formas graves da doença. E isso está diretamente relacionado à capacidade do sistema imunológico dessas pessoas de fazer uma resposta adequada. O risco da forma grave, como eu havia dito, além de gerar internação, pode ser, na sua apresentação mais grave e fatal, ser causa de óbito, inclusive”, reforçou.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo



