Fiocruz registra patente de tratamento contra malária resistente
Composto pode ser transformado em remédio e serve para combater formas graves e sensíveis do parasita

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) obteve a patente de um método de tratamento contra a malária, transmitida pelo mosquito Anopheles. O protocolo é feito com um composto conhecido como DAQ, considerado promissor, especialmente em casos resistentes aos medicamentos tradicionais.
O composto destacou-se no meio científico por demonstrar capacidade de atuar contra cepas resistentes do Plasmodium falciparum, parasita responsável pelas formas mais graves da doença. A molécula não é inédita, mas havia sido deixada de lado.
"Nosso grupo retomou esse estudo e mostrou um mecanismo único para superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita, ao identificar uma característica estrutural decisiva: a presença de uma ligação tripla na cadeia química", explica Wilian Cortopassi, pesquisador da Fiocruz.
A substância tem efeito semelhante ao da cloroquina, um dos principais medicamentos usados no tratamento da malária. O DAQ inibe substâncias tóxicas produzidas pelo patógeno e causa a morte do parasita.
Estudos mostram que o composto apresenta ação rápida nas fases iniciais da infecção e eficácia contra cepas sensíveis e resistentes do Plasmodium falciparum. O DAQ também se mostrou promissor contra o Plasmodium vivax, responsável pela maior parte dos casos de malária registrados no Brasil.
Apesar dos resultados considerados promissores, o desenvolvimento do DAQ como medicamento ainda depende de novas etapas, como testes de toxicidade, definição de doses seguras e eficazes e desenvolvimento da formulação farmacêutica adequada. A patente tem validade até 5 de setembro de 2041.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



