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Por que 'milhares' de crianças têm risco de contrair malária devido aos cortes dos EUA

Organização aponta que seu programa contra a malária foi o mais atingido pela crise orçamentária

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Gavi, a Aliança de Vacinas • Foto por FABRICE COFFRINI / AFP

Os cortes severos na ajuda internacional, liderados pela redução drástica do financiamento dos Estados Unidos, forçaram uma revisão alarmante nos programas de vacinação contra a malária na África. Em entrevista à AFP nesta sexta-feira (24), a diretora-executiva da Gavi, a Aliança de Vacinas, Sania Nishtar, alertou que a diminuição no fornecimento de imunizantes coloca em risco a vida de dezenas de milhares de crianças no continente.

A organização, que coordena esforços entre doadores públicos e privados para garantir vacinas a preços acessíveis em países em desenvolvimento, aponta que seu programa contra a malária foi o mais atingido pela crise orçamentária. No ano passado, sob a gestão do ministro da Saúde Robert Kennedy Jr., o governo norte-americano retirou 1,58 bilhão de dólares (aproximadamente R$ 8,8 bilhões na cotação da época) do orçamento da instituição, valor que correspondia a cerca de 25% da arrecadação total da Gavi.

Atualmente, a Aliança apoia a imunização em 25 nações africanas, região onde a malária é responsável por cerca de 600 mil mortes anuais, vitimando majoritariamente crianças. Diante da nova realidade financeira, a meta de atingir 85% de cobertura vacinal nos países selecionados até 2030 foi reduzida para 70%. Segundo estimativas anteriores da Gavi, a implementação total do plano original evitaria 180 mil óbitos no período; agora, a projeção é de que a lacuna de financiamento resulte em uma perda trágica de vidas infantis.

Nishtar descreveu o cenário da doença como "horrível", mencionando o sofrimento de crianças hospitalizadas com convulsões provocadas pela malária. Além do impacto direto nas vacinas, a diretora-executiva destacou as dificuldades para fomentar a produção de imunizantes em solo africano. Embora a Gavi tenha anunciado em 2024 um fundo de bilhões de dólares para impulsionar fabricantes locais — uma demanda que ganhou força após o acesso desigual visto na pandemia de covid-19 —, 18 meses depois, nenhum fabricante conseguiu, de fato, receber as subvenções previstas.

Com informações de AFP

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