Bacabal-MA: quanto tempo uma criança consegue sobreviver sem água e sem comida

Especialistas explicam os limites do corpo humano em situações extremas

Os irmãos Agatha Isabelly e Allan Michel seguem desaparecidos há 17 dias em Bacabal, no interior do Maranhão

O desaparecimento de duas crianças em Bacabal, no interior do Maranhão, que já está na segunda semana, chama a atenção para os limites do corpo humano em situações extremas de privação. Em cenários como esse, especialistas alertam que a falta de água representa o risco mais imediato à vida, especialmente entre crianças.

Segundo profissionais da área da saúde, não é possível estabelecer um tempo exato de sobrevivência sem água ou comida, já que diversos fatores influenciam o organismo, como idade, estado de saúde, clima, nível de estresse e acesso mínimo a líquidos.

Água e comida

A água é considerada o fator mais crítico. De acordo com a nutricionista clínica e esportiva Raphaella Cordeiro, um adulto consegue sobreviver, em média, entre três e cinco dias sem água, período que pode ser reduzido em ambientes quentes ou em situações de esforço físico. A ausência de hidratação pode levar à falência dos rins, do cérebro e do sistema circulatório.

No caso das crianças, o risco é ainda mais imediato. A nutricionista pediátrica Alice Carvalhais, especialista em nutrição materno-infantil, explica que a desidratação pode se tornar grave em 24 a 48 horas, já que crianças pequenas possuem menor reserva fisiológica e maior sensibilidade às variações do ambiente.

Os primeiros sinais de desidratação incluem sede intensa, boca seca, fraqueza, tontura e redução do volume de urina, que tende a ficar mais escura. Em quadros mais avançados, podem ocorrer confusão mental, delírios, perda de consciência, coma e morte.

Em relação à falta de comida, Raphaella Cordeiro afirma que um adulto pode sobreviver entre 40 e 60 dias sem ingestão de alimentos, dependendo de fatores como idade, condição física, reservas corporais e clima. Já entre crianças, esse tempo tende a ser menor e mais imprevisível.

Segundo Alice Carvalhais, a sobrevivência infantil depende de múltiplas variáveis, como acesso a fontes improvisadas de alimento, risco de ingestão de substâncias impróprias e nível de estresse.

As especialistas também destacam que o clima interfere diretamente na sobrevivência. A chuva pode auxiliar na hidratação, mas temperaturas mais baixas durante a noite aumentam o risco de hipotermia, sobretudo em corpos debilitados e desidratados.

Qualquer acesso mínimo à água, como chuva ou umidade de folhas de plantas, pode contribuir para a sobrevivência. Além disso, permanecer em repouso e reduzir movimentos ajuda a preservar energia e retardar o agravamento do quadro.

Sobre o caso Bacabal-MA:

As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, mobilizam mais de mil pessoas e entraram na segunda semana em Bacabal (MA). A comunidade onde as crianças moram tem cerca de 250 habitantes.

Eles desapareceram no dia 4 de janeiro, após brincarem na varanda da casa da avó. A última pista foi registrada na quinta-feira (15), quando cães farejadores indicaram que as crianças estiveram em uma casa abandonada próxima a um lago, conhecida na região como “casa caída”.

Um primo das crianças, Anderson Kauã, de 8 anos, encontrado no dia 7 de janeiro, relatou à polícia que entrou na mata com os primos após tentar chegar a um pé de maracujá. Segundo o depoimento, nenhuma pessoa adulta os acompanhava, e as crianças teriam ficado dias sem comer.

As buscas continuam na zona rural de Bacabal, no povoado São Raimundo.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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