O National Institute for Health and Care Excellence (Nice), órgão responsável por avaliar tratamentos no sistema público de saúde do Reino Unido, aprovou nesta quarta-feira (11) o uso do medicamento fezolinetant para tratar ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa.
O remédio é um tratamento não hormonal que atua nos neurônios KNDy, responsáveis pela regulação da temperatura corporal no hipotálamo, região do cérebro ligada ao controle térmico do organismo.
Nos Estados Unidos, o medicamento já havia sido aprovado em maio de 2023 pela Food and Drug Administration (FDA). O fezolinetant é comercializado em comprimidos de 45 miligramas e deve ser administrado uma vez ao dia.
Como funciona
O medicamento bloqueia a atividade dos neurônios KNDy, que passam a funcionar de forma irregular quando os níveis de estrogênio diminuem durante a menopausa. Essa alteração está associada ao surgimento das ondas de calor.
Segundo Helen Knight, diretora de avaliação de medicamentos do Nice, os sintomas podem afetar significativamente o bem-estar das mulheres.
“Sabemos que as ondas de calor e os suores noturnos da menopausa podem ter um impacto profundo na qualidade de vida e afetar significativamente o bem-estar geral”, afirmou em comunicado.
De acordo com ela, evidências científicas indicam que o fezolinetant pode reduzir de forma significativa esses sintomas e foi considerado um tratamento custo-efetivo.
Na época da aprovação nos Estados Unidos, Jan Shifren, diretora do Midlife Women’s Health Center do Massachusetts General Hospital, afiliado à Universidade Harvard, afirmou que o medicamento apresentou bons resultados em ensaios clínicos, reduzindo sintomas vasomotores — como ondas de calor — em cerca de 60% dos casos.
Alternativa à terapia hormonal
A expectativa é que o fezolinetant seja uma opção para mulheres que não podem ou não desejam fazer terapia de reposição hormonal (TRH), que continua sendo o tratamento de primeira linha para os sintomas da menopausa.
Para Sue Mann, representante do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), a aprovação representa um avanço para pacientes que não têm acesso a outras opções terapêuticas.
“Os sintomas da menopausa, incluindo ondas de calor e suores noturnos, podem afetar todos os aspectos da vida de uma mulher. Por isso, esta é uma notícia muito bem-vinda, especialmente para aquelas que não podem ou não desejam fazer terapia de reposição hormonal”, afirmou.
Especialistas alertam, no entanto, que o uso do medicamento exige monitoramento regular com exames de sangue para detectar possíveis sinais de dano ao fígado, um dos efeitos colaterais potenciais. Entre outras reações adversas relatadas estão dor abdominal, diarreia, insônia e dor nas costas.
* Com informações de Estadão