Ouça a rádio

Ouvindo...

Times

Câncer no cérebro, que vitimou Antero Greco, tem sintomas comuns que podem dificultar diagnóstico

Em tratamento contra um tumor cerebral desde junho de 2022, o jornalista Antero Greco morreu nesta quinta-feira (16); mês de maio reforça a conscientização da doença

O jornalista esportivo Antero Greco morreu nesta quinta-feira (16), aos 69 anos, em decorrência de um tumor cerebral. Ele foi diagnosticado em junho de 2022 e estava em tratamento desde então. O câncer de sistema nervoso central (SNC), onde fica o cérebro, é o 11° tumor mais frequente no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Na segunda-feira (13), o Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo havia divulgado detalhes do quadro de saúde ‘estável e delicado’ do Antero, jornalista e apresentador da ESPN.

Desde o diagnóstico em 2022, Antero passou pelos três tratamentos indicados para combater o câncer no cérebro: cirurgia; radioterapia e quimioterapia. ‘O tratamento depende de diversos fatores, como a condição de cada paciente e evolução do tumor. Mas essas são as três etapas indicadas a princípio’, explica a médica oncologista da clínica Oncoclínicas de Belo Horizonte, Camila Martins Fonseca Galizzi

Leia também

Neste mês, a campanha ‘Maio Cinza’ reforça a detecção precoce como a maneira mais eficaz para aumentar as chance de cura do tumor cerebral, que não há prevenção.

Câncer no cérebro

Os tumores no sistema nervoso central (SNC) podem ser classificados como tumores primários ou como metástase. Os tumores primários originam de células do SNC. Já na metástase, o tumor começa em outros órgãos do corpo, e as células caminham através da corrente sanguínea.

Os tumores podem afetar o sistema nervoso central através: de invasão local; compressão das estruturas próximas ao tumor ou um aumento da pressão intracraniana, chamada de hipertensão intracraniana. As manifestações elas também vão estar relacionadas a função daquela área cometida.

‘Se relacionada à área de visão, o paciente pode ter algum déficit de divisão, então isso vai estar muito relacionado a proximidade da função da área cometida pelo tumor primário ou pela metástase’, explica a oncologista.

Os tumores primários malignos do sistema nervoso central originado das células gliais, conhecidos como gliomas. ‘Hoje, são utilizados marcadores moleculares e a características histológicas para poder classificar esses tumores. São tumores com comportamento muito heterogêneo no que dizem em relação à questão de perfil de crescimento e velocidade de agressividade, o que impacta inclusive na sobrevida', afirma a médica. A sobrevida é uma estimativa da porcentagem de pacientes que seriam esperados para sobreviver aos efeitos do câncer.

Fatores de risco

Não há formas de prevenção para o tumor cerebral, mas há dois fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento do tumor: a exposição a radiação ionizante e a associação com síndrome genéticas.

Sintomas

Os sintomas dependem da localização do tumor no sistema nervoso central. Mas entre os principais sintomas estão:

  • Crises convulsivas;
  • Dor de cabeça;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Alterações de força;
  • Alterações de sensibilidade;
  • Dificuldade de fala;
  • Alterações visuais;
  • mudanças no comportamento;
  • Alterações na memória.

Os sintomas podem surgir de forma mais abrupta ou podem ir acontecendo de uma forma mais lenta, dependendo do tumor.

'É importante reforçar que a dor de cabeça não é a principal causa do tumor. Mas não é incomum é esse sintoma está presente nos tumores nos pacientes com tumor cerebral’, explica Camila.

Diagnóstico

O paciente que tem uma suspeita de tumor do sistema nervoso central tem que passar por uma avaliação médica prioritária, feito a partir de uma avaliação neurológica. Dependendo dos sintomas deve ser realizada uma tomografia computadorizada do crânio ou uma ressonância magnética.

Faixa etária

Os tumores no sistema nervoso central acometem crianças e adultos. Sendo que nos adultos a idade mediana de incidência é de 60 anos e há um aumento dessa incidência com o envelhecimento.

Na infância, de acordo com dados americanos, os tumores temos nervoso central são a segunda neoplasia maligna mais comum estando atrás das neoplasias malignas hematológicas. E em relação à idade a incidência é maior na idade entre 15 e 19 anos.

Tratamento

Em relação ao tratamento a indicação seria cirurgia; radioterapia e quimioterapia. O que vai depender de diversos fatores como: o diagnóstico histológico; a idade do paciente; a área do sistema nervoso central acometida e a condição clínica do paciente.

‘Dependendo dessas condições, é estabelecido um plano terapêutico, envolvendo o neurocirurgião, o neurologista clínico, oncologista clínico, radioterapeuta, fisioterapeuta e psicólogo’, explica a oncologista sobre a importância da equipe.

*Sob supervisão de Enzo Menezes


Participe dos canais da Itatiaia:

Giullia Gurgel é estudante de jornalismo e estagiária da Itatiaia.
Leia mais