Dispositivos que prometem soluções rápidas para doenças crônicas têm alcançado grande alcance nas redes sociais. Dessa vez, o que viralizou foi um anel que supostamente mede os níveis de glicose sem dor e sem a tradicional picada no dedo, algo considerado arriscado e sem comprovação científica por especialistas.
A endocrinologista e metabologista Lívia Mara Mermejo, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, alerta para os riscos da adoção de tecnologias sem validação. Segundo ela, o uso desses anéis pode comprometer o tratamento do diabetes ao gerar leituras imprecisas. “Não existem respostas mágicas. Esses medidores podem levar a erros na administração de insulina, com risco de hipo ou hiperglicemia e até de cetoacidose diabética”, afirma.
Anvisa veta comercialização por falta de evidências
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda dos anéis após constatar ausência de estudos que comprovem sua eficácia. Em comunicado, o órgão destacou que o produto não passou por testes clínicos, análises laboratoriais ou validação científica.
Mesmo com a proibição, anúncios continuam circulando nas redes sociais, impulsionados por influenciadores e celebridades. Para a especialista, essa estratégia aumenta o risco para pacientes mais vulneráveis. “A presença de influenciadores cria uma falsa sensação de confiança. O apelo de evitar picadas pode atrasar o tratamento e agravar a doença”, diz Lívia.
Para conter a desinformação, a Anvisa divulgou uma lista oficial dos dispositivos que tiveram a comercialização vetada e reforçou que esses produtos representam risco à saúde pública.
Métodos seguros continuam sendo os tradicionais e validados
Segundo a professora da USP, o controle seguro do diabetes depende exclusivamente de tecnologias reconhecidas pela ciência e aprovadas pela Anvisa. Entre elas estão exames laboratoriais tradicionais, glicosímetros capilares e sistemas de monitoramento contínuo de glicose. “Esses métodos têm base científica sólida e garantem aferição precisa, essencial para o manejo adequado da doença”, explica.
Lívia reforça que pacientes devem desconfiar de soluções que prometem resultados imediatos e sem esforço. “A melhor estratégia é buscar informação de qualidade, manter o acompanhamento médico e seguir tratamentos baseados em evidências científicas”, orienta.