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Embolização: o que é o procedimento feito por Faustão após transplante de rim?

Técnica interrompe o fluxo de sangue em uma região determinada do corpo; rim transplantado de Faustão ainda não funcionou

Após passar por um transplante de rim no dia 26 de fevereiro, o apresentador Fausto Silva, o Faustão, foi submetido a mais um procedimento cirúrgico nesta semana - a embolização. Segundo a assessoria de imprensa da família, “o processo de embolização foi feito para resolver questões linfáticas que estavam atrasando sua recuperação”.

Fausto Silva está internado no Hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo, desde o dia 25 de fevereiro. Ainda não há previsão de alta. De acordo com informações de familiares, quando o apresentador precisou passar por um transplante de coração, em agosto do ano passado, os rins já não funcionavam muito bem e ele fazia hemodiálise. No último processo, Faustão ficou na fila por um transplante de rim por dois meses.

O que é embolização?

Embolização é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo, em que um cateter é introduzido em um vaso sanguíneo, por meio de um acesso pela virilha ou pelo braço, para interromper o fluxo de sangue, ou de linfa (líquido que circula no sistema linfático), de um local do corpo.

De acordo com o nefrologista e coordenador médico do serviço de nefrologia do Hospital Vila da Serra, Ladislau José Fernandes Junior, a técnica é utilizada para correção de alguns sangramentos, como, por exemplo, no intestino, rins e cérebro.

“Nós temos essa técnica muito bem desenvolvida para interromper, por exemplo, um sangramento intestinal em que não se encontra a origem. Através do exame contrastado, que funciona como um cateterismo, conseguimos identificar o ponto sangrante, fazer a embolização e parar o sangramento”, explica.

O nefrologista também explica os benefícios da técnica. “Você consegue reduzir lesões e interromper o dano que aquela lesão está fazendo no órgão com menos impacto cirúrgico para o paciente. Por isso, é uma cirurgia considerada minimamente invasiva, já que não é preciso fazer um corte grande”, comenta.

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Como é feito o procedimento?

Ao colocar o cateter no vaso sanguíneo, o médico insere o contraste para conseguir observar o trajeto até o local desejado.

“O paciente pode estar acordado ou sedado, a depender da técnica. Assim que chegar no ponto que ele quer, o médico libera uma substância para obstruir aquele vaso”.

O nefrologista explica que, no caso do apresentador, é possível que um acúmulo de linfa estivesse atrapalhando o funcionamento do transplante renal ao impedir que o órgão recebesse um fluxo sanguíneo adequado.

“Essa técnica é considerada pouco invasiva porque você vai utilizar o vaso, não precisa cortar. No caso do Faustão, se tivesse que abrir abdômen e manipular o rim seria muito invasivo, muito agressivo. Isso teria um impacto para o paciente”, compara.

Rim transplantado ainda não funcionou

O apresentador Fausto Silva passou por um transplante de rim no dia 26 de fevereiro, mas o órgão ainda não começou a funcionar. Ao colunista Lauro Jardim, o jornal O Globo, Faustão disse que é normal que o rim demore a voltar ao normal.

“Fiz todos os exames, está tudo ok com o rim, (mas) às vezes demora até um mês. Estou na espera, na arte da paciência”, disse ele em uma mensagem.

Ladislau José explica que a embolização é feita para garantir que o órgão transplantado receba um fluxo sanguíneo adequado e constante. Assim, o rim deve começar a funcionar o mais rápido possível.

“Se for um acúmulo de linfa que está comprimindo a região onde está o rim, espera-se que com a embolização esse acúmulo reduza e esse rim comece a fluir, tendo a sua vascularização e drenagem de forma adequada”, comenta.

O nefrologista também afirma que, em casos de pacientes transplantados, o ideal é garantir que o novo órgão possa funcionar da melhor maneira possível.

“O rim transplantado precisa ter sangue entrando nele de forma adequada. Também precisa que o sangue, que foi limpo pelo rim, consiga sair, e que o material produzido pelo órgão (a urina) também saia de forma adequada. Além disso, a imunossupressão garante que o corpo do paciente não rejeite o novo rim. É isso o que se espera de um transplante”, diz.

Embolia x Embolização

Apesar do nome do procedimento (embolização) ser semelhante a uma grave condição de saúde, a embolia, os dois não devem ser confundidos.

O nefrologista esclarece a diferença: “a embolia, que é conhecida como um evento ruim, é a obstrução feita por coágulo. Mas ela acontece de forma aleatória e pode causar um dano maior ao órgão afetado, levando até a morte. Já na técnica da embolização, utiliza-se um material adequado para provocar essa obstrução, que é feita em um segmento determinado de um órgão. Então, é uma técnica bem direcionada”.

A embolização é considerada um procedimento endovenoso, ou seja, que é feito nos vasos sanguíneos. "É dentro do vaso que você vai obstruir o fluxo de sangue ou de linfa em determinada região do corpo humano”, afirma o médico.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
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