UFMG e governo federal firmam acordo para pesquisa inédita sobre relação de menores com o tráfico

Pesquisa terá um caráter quantitativo e qualitativo e abrangerá duas cidades de cada uma das cinco regiões brasileiras

Ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo (PT) participou de cerimônia na UFMG

O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania e a UFMG assinaram, nesta sexta-feira (20), um acordo para a elaboração de um protocolo de garantia dos direitos das crianças e adolescentes a partir de uma pesquisa inédita sobre o trabalho infantil associado ao tráfico de drogas. A pasta do governo federal investirá R$ 2,5 milhões na elaboração do levantamento que deve ser feito em 18 meses e terá abrangência nacional.

A pesquisa terá um caráter quantitativo e qualitativo e abrangerá duas cidades de cada uma das cinco regiões brasileiras. Os municípios serão selecionados de acordo com o mapeamento de localidades mais vulneráveis, com base no cálculo do Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ), em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, entre outros indicadores sociais.

A cerimônia contou com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo (PT), e da reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart.

Em entrevista, a ministra falou sobre o imediatismo da pesquisa e sobre as mazelas do sistema socioeducativo brasileiro, responsável por receber menores de idade envolvidos com a criminalidade.

“O objetivo dessa carta de acordo é a produção de dois estudos muito importantes e que estão conectados. Um estudo é sobre cobrir a exploração de crianças no trabalho infantil, no tráfico de drogas, que é considerada a pior forma de trabalho infantil e nós ainda não temos estudos dessa natureza, precisamos avançar para ter mais dados, informações, inclusive para pensar melhor que tipo de política pública para coibir esse tipo de situação. E o segundo ponto dessa carta acordo é trabalharmos o sistema socioeducativo. Aí é sobre sobre a condição de crianças, de tortura dentro do próprio sistema socioeducativo. Isso em função de uma condenação que o Brasil teve na Corte Interamericana sobre fatos ocorridos lá no Estado do Ceará e que o Brasil agora a gente precisa trabalhar para garantir condições adequadas para os adolescentes dentro do sistema socioeducativo”, destacou a ministra.

Além de criar um mapeamento inédito para conhecer a realidade e criar políticas públicas para evitar que menores de idade sejam aliciados pelo tráfico de drogas e que sofram abusos quando recebidos pelo sistema socioeducativo, a pesquisa pretende inovar ao fazer o uso da psicanálise para ouvir os jovens nessa realidade.

Estão previstas entrevistas com lideranças locais, gestores e profissionais ligados às políticas de educação, justiça e assistência social do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente. A professora Andréa Guerra, professora do Departamento de Psicologia da UFMG e uma das coordenadoras da pesquisa, explicou o aspecto psicanalítico do levantamento.

“A sociologia tradicionalmente trabalha com muitos dados, com trabalho de campo e a psicanálise habitualmente era vista como um campo mais elitizado, da clínica.

E hoje cada vez mais a gente tem trabalhado com os problemas sociais, com os enfrentamentos políticos, com os conflitos civis e nessa pesquisa em especial, a voz e a palavra do adolescente recente, vai ser mobilizada através de dispositivos individuais e coletivos da psicanálise”, afirmou a pesquisadora e coordenadora do núcleo Psicanálise e laço social no contemporâneo (Psilacs) da UFMG.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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