STF avalia se TCU extrapolou funções ao atuar em acordos administrativos

ADPF apresentada pelo Novo contesta instrução normativa que permite participação do órgão na validação de consensos antes de decisões do governo federal

A fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta quarta feira (11) uma ação que discute até onde o Tribunal de Contas da União (TCU) pode atuar antes que o governo tome decisões administrativas. A ação foi apresentada pelo partido Novo contra uma norma do TCU criada em 2022 que permite ao órgão participar da construção de acordos entre o poder público e empresas ou instituições para evitar conflitos futuros.

Na prática, o TCU passou a atuar como uma espécie de mediador antes que decisões sejam tomadas pelo Executivo. O partido autor da ação afirma que isso vai além do papel constitucional do tribunal, que seria fiscalizar e julgar contas depois dos atos já realizados, e não participar da elaboração das soluções antecipadamente.

Segundo o Novo, essa atuação prévia pode ferir a separação entre os Poderes, porque o TCU estaria influenciando decisões que caberiam ao governo federal e ao Congresso. A deputada Adriana Ventura (Novo SP) diz que, apesar de o modelo ser apresentado como forma de economizar recursos públicos e evitar disputas judiciais, ele poderia beneficiar grupos específicos e interferir na definição de políticas públicas.

Durante o andamento do processo, o próprio TCU atualizou as regras e ampliou exigências de transparência por meio de uma nova instrução normativa publicada em 2025. Ainda assim, o partido mantém o argumento de que o problema principal continua, já que o tribunal seguiria participando ativamente da negociação e validação desses acordos.

Como exemplo, a legenda cita discussões envolvendo o Porto de Santos. De acordo com a parlamentar, regras incluídas pelo Ministério dos Portos com aval do TCU teriam favorecido empresas que já atuam no setor, o que poderia dificultar a entrada de novos concorrentes.

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Além da disputa jurídica, a ação levanta dúvidas sobre possíveis impactos na fiscalização do dinheiro público. Para o partido, se o TCU participa da construção dos acordos antes das decisões, o controle posterior poderia ficar enfraquecido.

A decisão do STF deve definir com mais clareza qual é o limite de atuação do Tribunal de Contas nesse tipo de negociação. O resultado pode influenciar diretamente a forma como órgãos de controle e o governo federal conduzem acordos administrativos daqui para frente.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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