O líder do PT na Câmara dos Deputados, deputado federal Lindbergh Farias (PT), protocolou, nesta segunda-feira (5), uma representação à Polícia Federal requerendo abertura de inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), acusando-os de crimes como atentado à soberania, tentativa de golpe de Estado e abolição da ordem democrática por meio de grave ameaça.
O documento argumenta possível “atuação de forma coordenada e sistemática” em “uma estratégia de ataque à soberania” que poderia configurar os delitos. O parlamentar defende que houve uma campanha articulada entre os três colegas de Congresso Nacional para “através de inúmeras publicações e declarações públicas” insuflar e justificar a ideia de uma intervenção militar estrangeira no Brasil “com claro objetivo de depor o governo legitimamente constituído”.
Para sustentar as acusações, Lindbergh pontua publicações de Nikolas e Flávio sobre a operação dos Estados Unidos na Venezuela, que depôs e capturou o então presidente do país, Nicolás Maduro, e sobre possível intervenção militar americana em solo brasileiro. Flávio Bolsonaro respondeu a uma publicação do secretário de Guerra dos EUA, Pete Heghseth, em 23 de outubro do ano passado, no que o petista classificou como um “convite a intervir militarmente no território brasileiro”.
“Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara... Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”, disse o senador. “Este ato transcende a crítica política e configura uma tratativa direta com agente estrangeiro, sugerindo a ação de forças militares estrangeiras em solo nacional”, defende a ação.
Nesse domingo (4), o deputado Nikolas Ferreira divulgou uma montagem na qual o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é representado sendo preso e algemado por soldados estrangeiros. Isso, conforme a petição, é “a materialização do objetivo final da narrativa: a deposição do Chefe de Estado por força militar externa. Atua como propaganda visual do resultado golpista desejado, complementando a camada retórica construída pelos demais. Ademais, em declaração gravada, o deputado afirma: ‘Pode ser intervenção estrangeira, sim’”.
A ação diz que há uma “clara divisão de tarefas”, especialmente quanto ao crime de associação criminosa. “Flávio Bolsonaro atua como articulador, Eduardo Bolsonaro como disseminador da retórica de ameaça no exterior e Nikolas Ferreira como amplificador da mensagem traduzida via propaganda visual de impacto”, argumenta.
Por fim, Farias pede que haja registro da notícia de fato, instauração de inquérito policial em delegacia especializada para apurar os crimes e “determinação urgente para produção e acautelamento de provas digitais”. Inclusive, há pedido para requisição de dados às plataformas digitais, perícia forense e até quebra de sigilos.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira, mas não conseguiu contato com Eduardo Bolsonaro. Caso haja resposta, o texto será atualizado. O espaço continua aberto.